Cantor afirma à Justiça que mensagem enviada por direct ocorreu durante uma discussão e sustenta que não teve intenção de negar a identidade de gênero de Malévola
MC Paiva apresentou à Justiça sua defesa no processo movido por Malévola Alves, que acusa o cantor de transfobia após uma troca de mensagens pelo Instagram. A ação tramita na Vara do Juizado Especial Cível da Comarca de São Bernardo do Campo, no Tribunal de Justiça de São Paulo, e envolve um pedido de indenização por danos morais de R$ 60 mil.
Na contestação, Davi José, nome de registro do artista, negou ter cometido transfobia ou tentado negar a identidade de gênero de Malévola. Segundo a defesa, a declaração atribuída ao cantor ocorreu em meio a um desentendimento entre os dois e teria sido feita de maneira sarcástica e impulsiva.
MC Paiva também argumentou que a conversa aconteceu de forma privada, por meio do direct do Instagram, sem publicação em redes sociais ou exposição pública. Por isso, sustentou que a mensagem não teria causado prejuízo à imagem ou à reputação de Malévola.
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De acordo com a defesa apresentada pelo artista, ele teria reagido de maneira defensiva depois de considerar invasiva uma atitude atribuída à autora da ação. O cantor afirmou ainda que discussões ríspidas e recíprocas ocorridas na internet não devem, por si só, ser caracterizadas como prática de discriminação transfóbica.
Na contestação, a defesa de Paiva também mencionou outro processo judicial envolvendo Malévola Alves. Segundo o documento, em uma ação de 2024, ela aparece como ré por uma situação relacionada à exposição e humilhação de uma criança durante uma distribuição de chocolates realizada na Páscoa daquele ano.
O cantor utilizou o episódio para questionar a postura da autora no processo atual e afirmou haver contradição entre os dois casos. A defesa argumentou que Malévola não poderia, segundo sua interpretação, buscar uma indenização por danos morais com base no que classificou como uma “sensibilidade anímica”.
Ao final da contestação, MC Paiva pediu que a Justiça rejeite os pedidos apresentados por Malévola e julgue a ação improcedente.
ENTENDA O CASO
A disputa judicial teve início após uma conversa entre Malévola e MC Paiva pelo Instagram. Segundo a autora do processo, o contato aconteceu depois que ela interagiu em uma publicação envolvendo Soso Careca, namorada do cantor.
Na ocasião, Malévola afirma ter recebido uma mensagem de Paiva. Na conversa, o artista teria escrito: “Se ficar citando meu nome sem eu ter nada vê com a história, não vou ficar falando em internet não, já tô avisando… Confunde ai pra vc ver”.
Malévola afirmou ter interpretado a mensagem como uma ameaça e questionou se o cantor estaria “ameaçando uma mulher”. Ainda segundo o relato apresentado no processo, Paiva teria respondido: “Que mulher?”.

Foto: Divulgação
Para Malévola, a resposta teria representado uma negativa de sua identidade de gênero e configuraria um ato de transfobia. Ela sustenta que a manifestação atingiu sua dignidade e personalidade enquanto mulher transexual e afirma ter sofrido dor e humilhação em razão do episódio.
A defesa de MC Paiva, por outro lado, nega essa interpretação e afirma que a conversa ocorreu em um contexto de conflito pessoal, sem intenção discriminatória.
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O processo segue em tramitação na Justiça de São Paulo.