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MEC revoga edital que permitia criação de novos cursos de Medicina
Foto: Reproduçao

Documento que permitia a ampliação da oferta do curso por universidades privadas já havia sido adiado quatro vezes desde a publicação, em 2023. Previsão era de que até 5.900 novas vagas fossem criadas

O Ministério da Educação (MEC) revogou o edital nº 1/2023, que autorizava a criação de novos cursos de Medicina, principalmente em instituições privadas. A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União na terça-feira (10) e encerra oficialmente o processo que poderia abrir até 5.900 novas vagas no país.

 

O edital fazia parte da retomada do Programa Mais Médicos, que havia sido suspenso em 2018, durante o governo Michel Temer. A proposta previa que as instituições interessadas seguissem critérios definidos pelo governo federal, incluindo a escolha dos municípios e as condições para implantação dos cursos.

 

Apesar da expectativa de ampliação da oferta, o cronograma do edital já havia sido adiado quatro vezes desde sua publicação, em meio a questionamentos técnicos e mudanças no cenário da educação médica.

 

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AVALIAÇÃO NEGATIVA PESOU NA DECISÃO

 

A revogação ocorre após a divulgação dos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Em janeiro, o MEC publicou a lista de cursos avaliados e suas respectivas notas.

 

Mais de 100 cursos de Medicina receberam conceitos 1 e 2  considerados insatisfatórios pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). As instituições com desempenho abaixo do esperado serão penalizadas com restrições no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e suspensão da ampliação de vagas.

 

O resultado reacendeu o debate sobre a qualidade da formação médica no país e fortaleceu o discurso de que a expansão deve priorizar critérios mais rigorosos

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MUDANÇAS NO CENÁRIO REGULATÓRIO

 

Em nota oficial, o MEC afirmou que a revogação do edital se deve a alterações significativas no contexto da oferta de cursos de Medicina no Brasil. Entre os fatores apontados estão:

 

A expansão recente de cursos e vagas por meio de decisões judiciais que autorizaram novas graduações;

 

A ampliação da oferta por sistemas estaduais e distrital de ensino;

 

A conclusão de processos administrativos que permitiram aumento de vagas em cursos já existentes.

 

O ministério também citou como elemento relevante o surgimento do Enamed após a publicação do edital, além das novas diretrizes curriculares para Medicina e do debate sobre a criação de um exame nacional nos moldes da OAB para médicos.

 

Segundo o MEC, essas mudanças alteraram de forma significativa o contexto regulatório, social e técnico da política de formação médica no país, reforçando a necessidade de centralizar esforços na qualidade do ensino e na adequação às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

PROGRAMA CONTINUA

 

A pasta ressaltou que a revogação não compromete outras frentes do Programa Mais Médicos. Processos administrativos e judiciais em andamento seguem normalmente, assim como autorizações já concedidas.

 

De acordo com o MEC, a decisão não representa o fim da política de expansão da formação médica, mas uma medida para garantir maior coerência, sustentabilidade e alinhamento ao marco legal vigente. O ministério informou ainda que novos editais poderão ser estudados futuramente, com ajustes técnicos e construção participativa.

 

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A medida marca uma mudança de foco: em vez de ampliar rapidamente o número de vagas, o governo federal sinaliza prioridade à qualidade da formação e à regulação mais rigorosa do ensino médico no Brasil. 

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