O médico estava dormindo no apartamento da família quando foi surpreendido em seu quarto por quatro homens
Um médico de 27 anos denunciou ter sido internado contra a própria vontade em uma clínica de reabilitação no Piauí após revelar à família que é gay. Segundo o relato do profissional e de sua defesa, ele permaneceu cerca de 40 dias incomunicável em uma unidade de tratamento, sem acesso ao celular, documentos ou contato com amigos e advogados.
O caso aconteceu em Teresina e ganhou grande repercussão nacional após o médico afirmar que a internação teria sido motivada por homofobia familiar. De acordo com a defesa, os pais alegaram dependência química para justificar a internação involuntária, mas o profissional nega fazer uso de drogas e afirma que nunca foi submetido a exame toxicológico que comprovasse qualquer vício.
Segundo a advogada Juliana Irineu, o médico foi surpreendido dentro da residência da família por funcionários da clínica. O profissional contou que foi imobilizado por quatro homens após ser chamado pela mãe para ajudar o irmão. Ainda conforme a defesa, houve luta corporal antes de ele ser colocado em uma ambulância e levado para a unidade de reabilitação.
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Durante o período de internação, o médico afirma que teve os pertences pessoais confiscados e recebeu medicações sem consentimento. Ele também relatou que passou dias sem avaliação adequada e que só recebeu um laudo psiquiátrico após já estar internado havia algum tempo. A defesa questiona a legalidade do procedimento e afirma que não existiam critérios suficientes para justificar a medida extrema.
A advogada sustenta que o caso pode configurar cárcere privado e violação de direitos humanos. Segundo ela, o médico possui plena capacidade civil, trabalha normalmente e não apresentava sinais de surto ou incapacidade mental que justificassem a internação compulsória.
Após conseguir acesso a um telefone dentro da clínica, o médico entrou em contato com amigos, que acionaram apoio jurídico. A defesa então buscou auxílio policial para retirá-lo do local. Segundo relatos, houve resistência inicial da clínica e da família para permitir o acesso ao paciente.
O caso foi encaminhado para a Central de Flagrantes de Teresina, onde as circunstâncias da internação passaram a ser analisadas pelas autoridades. Delegados avaliaram inicialmente que a medida poderia se enquadrar na legislação sobre internações involuntárias, entendimento que foi contestado pela defesa do médico.
Após a repercussão do episódio na imprensa e nas redes sociais, os pais solicitaram o encerramento da internação e devolveram os pertences do filho. O médico deixou a clínica e passou a receber acompanhamento jurídico e psicológico.
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O episódio provocou forte reação entre movimentos LGBTQIA+, entidades de direitos humanos e internautas, que classificaram o caso como possível prática de “cura gay”, procedimento condenado por órgãos médicos e proibido no Brasil. Nas redes sociais, usuários manifestaram apoio ao médico e cobraram investigação rigorosa sobre a atuação da clínica e dos envolvidos.