Teste de DNA revelou que o especialista era o pai biológico do filho da mulher, que afirma ter sido enganada sobre a identidade do doador
Um médico de fertilidade dos Estados Unidos está sendo processado décadas depois de uma paciente descobrir que ele teria usado o próprio esperma durante procedimentos de inseminação realizados nos anos 1980. A suspeita veio à tona após testes de DNA revelarem que duas mulheres concebidas durante o tratamento eram filhas biológicas do profissional. O caso reacende o debate sobre fraudes em tratamentos de reprodução assistida no país.
A paciente Jean Ann Nelson procurou o médico Dennis Lutz, na Dakota do Norte, em meados da década de 1980, para tentar engravidar. Segundo a ação judicial, o profissional teria informado que misturar o esperma do marido com o de um doador aumentaria as chances de gravidez. A família afirma, porém, que Lutz teria substituído secretamente o material genético utilizado no procedimento pelo próprio esperma, sem autorização da paciente.
As filhas Tasheena Greaves, de 41 anos, e Janae Nelson Raymond, de 40, nasceram em 1985 e 1986. Décadas depois, testes genéticos apontaram que o médico responsável pelo tratamento era o pai biológico das duas. A descoberta provocou uma crise familiar e levou as mulheres a buscar explicações sobre o procedimento realizado quando a mãe delas fazia tratamento para engravidar.
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Em sua defesa, Lutz reconheceu que a paciente não havia autorizado o uso de seu esperma, mas afirmou que os procedimentos estavam de acordo com os padrões médicos da época e negou ter agido com intenção de enganá-la. A família, por outro lado, classifica a conduta como uma fraude deliberada e pede indenização de pelo menos US$ 50 mil. A Universidade da Dakota do Norte, onde o médico ocupava um cargo de chefia na área de ginecologia, também decidiu afastá-lo da função.
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Casos como esse não são isolados nos Estados Unidos. Testes genéticos realizados por pessoas concebidas por tratamentos de fertilidade já revelaram dezenas de situações em que médicos teriam utilizado o próprio material genético sem consentimento das pacientes. O caso de Donald Cline, por exemplo, revelou que o médico gerou secretamente ao menos 94 filhos. A falta de legislação específica em alguns estados durante décadas dificultou a responsabilização de profissionais envolvidos nesse tipo de fraude.