Uma nova tecnologia em detectores de raios gama pode tornar exames de medicina nuclear mais precisos, rápidos, acessíveis e seguros
Uma família de cristais pode revolucionar a medicina nuclear e gerar exames de imagem mais precisos do que nunca. Pesquisadores da Unviersidade de Northwestern, nos Estados Unidos, e da Universidade de Soochow, na China, construíram um detector de raios gama à base de perovskita, um cristal natural russo.
O material pode capturar raios gama individuais com precisão, o que substituiria os exames de imagem usados atualmente.
O novo equipamento pode dar maior precisão aos exames que usam medicina nuclear. A ferramenta pode ainda torná-los mais rápidos, baratos e seguros, segundo o estudo publicado na revista Nature Communications no dia 30 de agosto. Para os pacientes, significa tempo de exame menor e resultados mais claros, além da possibilidade de reduzir doses de radiação.
Veja também

Brasil tem uma tentativa de suicídio ou autolesão entre adolescentes a cada 10 minutos
Vacinas contra o câncer: tudo o que se sabe sobre a vacina Russa
COMO OS EXAMES FICARAM MAIS NÍTIDOS
A tecnologia tem potencial para impulsionar a tomografia computadorizada por emissão de fóton único, conhecida como SPECT, amplamente utilizada na medicina especializada. A medicina nuclear, como o exame SPECT e a nova tecnologia, funciona como uma câmera invisível. Os médicos inserem um radioreator seguro e de curta duração em uma parte do corpo do paciente.
Enquanto emite raios gama, o material permite que a máquina mapeie o corpo através da radiação. Os raios, que funcionam como pixels de luz, viajam para fora dos tecidos e atingem um detector fora do corpo. Após coletar milhões destes pixels, computadores constroem uma imagem 3D dos órgãos.
O resultado é semelhante a um holograma. O novo estudo propõe usar o cristal como o receptor dessa radiação, com maior resistência e capacidade de absorção que os atualmente usados. A detecção hoje em dia é feita de telureto de cádmio e zinco (CZT) ou iodeto de sódio (NaI), que apresentam desvantagens. Os aparelhos que usam CZT são caros e frágeis. Já os NaI são mais baratos, porém produzem imagens borradas.
“As perovskitas são uma família de cristais mais conhecida por transformar o campo da energia solar por sua fotossensibilidade. Agora, elas estão prontas para fazer o mesmo pela medicina nuclear. Esta é a primeira prova clara de que os detectores de perovskita podem produzir o tipo de imagens nítidas e confiáveis ??que os médicos precisam para fornecer o melhor atendimento aos seus pacientes”, disse Mercouri Kanatzidis, da Northwestern, autor sênior do estudo, em comunicado à imprensa.
“Quando descobrimos pela primeira vez, em 2013, que monocristais de perovskita podiam detectar raios X e raios gama, mal podíamos imaginar seu potencial. Agora, estamos mostrando que detectores baseados em perovskita podem fornecer a resolução e a sensibilidade necessárias para aplicações exigentes, como imagens de medicina nuclear. É emocionante ver essa tecnologia se aproximando do impacto no mundo real”, completa o pesquisador.
Em experimentos, o detector foi capaz de diferenciar raios gama de diferentes energias com a melhor resolução relatada até o momento. Ele também detectou sinais extremamente fracos de um radiotraçador médico (tecnécio-99m) comumente usado na prática clínica e distinguiu características incrivelmente finas, produzindo imagens nítidas que conseguiam separar minúsculas fontes radioativas espaçadas a apenas alguns milímetros de distância.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Como esses novos detectores são mais sensíveis, os pacientes podem precisar de tempos de varredura mais curtos ou doses menores de radiação para fazer os exames.
Fonte: Metrópoles