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Medo da intoxicação por metanol muda hábitos e preocupa quem vende destilados na praia
Foto: Foto: Julia Aguiar

Amigos levam bebida de casa; turista só compra com barraqueiro de confiança

Os casos das suspeitas de intoxicação por metanol, que já fizeram vítimas fatais em São Paulo e no Nordeste, ainda não chegaram ao Rio, o que não quer dizer que por aqui não haja um clima de receio entre um gole e outro. O medo tem rondado os copos dos mais desconfiados, que preferem levar sua própria bebida até para a praia. É o que fez o motorista de aplicativo Guilherme Floriano da Penha, de 29 anos. O morador de Petrópolis aproveitou a quarta-feira ensolarada acompanhado de um grupo de cinco amigos nas areias de Copacabana. Por medo de consumir bebida de procedência duvidosa e adulterada, fez questão de levar consigo as duas garrafas de uísque, além de dois fardos de latinhas de cerveja para os que não apreciavam o destilado.

 

— Pelo menos essa eu sei de onde veio — disse o rapaz, que comprou a bebida num supermercado de sua cidade.

 

O turista chileno Alex Ayacura, de 50, se dividia entre a leitura de um livro e uns goles na taça de caipirinha feita com cachaça e melancia. O administrador de hotel disse que estava em sua 15ª visita ao Rio e por uma questão de segurança frequenta sempre o mesmo trecho da praia e consome os produtos do mesmo barraqueiro.

 

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—Eles transmitem confiança. É a forma de me proteger, ainda mais agora com essa história das bebidas batizadas com metanol — disse o estrangeiro.

 

O autônomo Santiago dos Santos, de 25 anos, morador de São Paulo, disse que a vontade de tomar uma caipirinha falou mais alto do que o medo da intoxicação. Mas, só arriscou pedir a bebida porque estava na Praia de Copacabana, no Rio.

 

—Seguro nunca é. Mas não tem o que fazer quando dá aquela sede diferente nesse calor. Se fosse em São Paulo eu não estaria bebendo com essa mesma tranquilidade. Tá complicado — lamentou.

 

Isabela com o pai Jerônimo: barraqueira teme perder clientes — Foto: Julia Aguiar
Isabela com o pai Jerônimo: barraqueira teme
perder clientes 

Entre os vendedores, o sentimento também é de apreensão, embora a maioria ainda não tenha percebido queda nas vendas pelo receio da intoxicação. Barraqueira há quase 15 anos nas areias do Posto 6, em Copacabana, Isabela Bernardo, de 43, que trabalha ao lado do pai Jerônimo, de 67, contou que a situação é preocupante e tem gerado um debate entre ela, clientes e seus colegas de praia.

 

—Trabalho com o mesmo fornecedor há mais de dez anos e confio nele. Mas ele compra de um fabricante. É preocupante. Tenho também uma relação de confiança com os clientes, mas atendo muitos turistas. Vamos ver como vai ficar nos próximos dias, se esses casos vão ter reflexo nas vendas. O que vou fazer daqui para a frente é guardar todas as notas fiscais para me respaldar e também vou evitar de fazer compras avulsas como medida de segurança — garantiu a vendedora, em cuja barraca saem em média 50 copos de caipirinha, por dia.

 

O vendedor ambulante Thiago Oliveira, de 28 anos, que circula entre os banhistas equilibrando uma bandeja com vários copos de caipirinha feitas com vodka e cachaça, com sabores variados, pelos quais cobra R$ 30, diz que o receio pela intoxicação que aconteceu em São Paulo e Nordeste ainda não afetou suas vendas. Ele disse que compra as bebidas em um supermercado e guarda das notas, por precaução. O mesmo faz Ticiano Andrade, de 23.

 

—Já vi que teve gente que morreu em São Paulo, mas não refletiu ainda por aqui. É que tem muita gente que ainda não sabe — argumentou o Thiago, assegurando que preza pela higiene do produto que vende.

 

Num quiosque quase em frente a futura sede do Museu da Imagem do Som (MIS), o barman Francisco Fernandes, de 39 anos, segue preparando drinques que levam destilados como cachaça e vodka. Ele tem turistas como principais clientes e contabiliza a venda de 70 a 80 copos da bebida em média por dia.

 

Entre cores, sabores e receio: ambulante oferece drinques nas areias de Copacabana — Foto: Julia Aguiar
Entre cores, sabores e receio: ambulante oferece drinques nas
areias de Copacabana (Foto: Julia Aguiar)

—Por enquanto não mudou nada —garante.
 

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Essa não é a mesma percepção que tem a vendedora Maria Eduarda Santos, de 20. A jovem que vende drinques e caipirinhas feitas com cachaça e vodka no Arpoador calcula que as vendas caíram pela metade desde a divulgação dos primeiros casos de mortes por intoxicação da bebida em São Paulo, no último fim de semana.

 

Fonte: Extra

 

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