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Bizarro
Membros de família na Nova Zelândia decidem retirar o estômago
Foto: Reprodução

Decisão, semelhante à da mastectomia preventiva, foi tomada para evitar câncer por mutação genética

A prima de Karyn Paringatai havia falecido de uma forma agressiva de câncer no estômago, aos 33 anos, deixando três filhos. A mãe da prima havia também morrido por causa do mesmo tipo de câncer. A avó de Karyn e uma prima, idem.

 

Os médicos que atenderam a prima de Karyn em Tauranga (Nova Zelândia) descobriram que esse padrão era assustadoramente familiar. A doença era um tipo incomum chamada câncer gástrico difuso, no qual células cancerosas se espalham pelo corpo. A doença se espalha despercebida pelo estômago, formando massas visíveis apenas em estágios avançados — geralmente tarde demais para tratar.

 

Numa outra família M?ori nas proximidades de Tauranga, uma mulher perdeu seis irmãos para o mesmo tipo de câncer de estômago. A família entrou em contato com os Paringatai. "Vocês precisam fazer um teste, é genético", disseram.

 

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Karyn cujo pai também era M?ori, fez o teste. E, de fato, ela era portadora de uma mutação no mesmo gene, conhecido como CDH1, que a outra família, contou reportagem da revista "The Atlantic".

 

A mutação lhe conferia o risco de 70% de desenvolver câncer gástrico difuso avançado ao longo da vida.

 

Como essa forma de câncer pode metastatizar tão rápida e imprevisivelmente, o único método infalível de prevenção é a remoção completa do estômago, ou gastrectomia total. O quadro é semelhante ao da mastectomia preventiva para câncer de mama, mas muito mais desgastante fisicamente.

 

Muitas mulheres com alto risco de desenvolver câncer gástrico difuso também acabam submetidas à mastectomia, pois o risco de desenvolver câncer de mama chega a 40%.

 

Karyn se submeteu à gastrectomia em 2010. Para ela, a cirurgia salvou a sua vida. E foi a primeira vez que o seu médico fazia aquilo numa pessoa saudável. Na sala de cirurgia, o cirurgião fez uma longa incisão em seu abdômen, retirou a bolsa do tamanho de um punho de seu estômago e suturou seu esôfago ao intestino delgado.

 

A M?ori foi a primeira da família Paringatai a ter o estômago removido profilaticamente. Outros parentes seguiram o exemplo. E foram igualmente salvos. Em uma viagem recente para visitar a família oe seu pai, Karyn se viu sentada numa varanda com suas tias e primos. Das oito pessoas presentes, ela percebeu que apenas uma ainda tinha estômago: o seu parceiro.

 

"Você é o diferente", brincou ela.

 

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COMO É A VIDA SEM ESTÔMAGO?


Numa gastrectomia bem-sucedida, durante pelo menos os primeiros seis meses, a vida do paciente gira completamente em torno da comida, e não de uma forma agradável. Você come pequenas porções 10 vezes ao dia. Precisa mastigar, mastigar e mastigar a comida como se fosse chiclete para compensar a falta de estômago. Seu sistema digestivo vomita por ambos os lados. Seu nível de açúcar no sangue sobe e desce de forma imprevisível. Você desmaia nos piores momentos. Você está cansado o tempo todo. Você perde muito peso, o que pode parecer bem-vindo a princípio, mas depois se torna assustador. Você fica impossibilitado de trabalhar por alguns meses — ainda mais tempo se o seu trabalho for físico ou se sua recuperação for difícil. Cerca de um em cada 10 pacientes apresenta complicações graves o suficiente para exigir hospitalização após gastrectomia, de acordo com estudos realizados em hospitais dos EUA. 

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