Gilmar: alertas sobre fantasma do lava-jatismo; Mendonça: confiança paciente à frente do caso Vorcaro
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu nesta quarta-feira as críticas feitas pelo ministro Gilmar Mendes sobre o levantamento do sigilo de conversas envolvendo o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em manifestação divulgada pelo gabinete, Mendonça afirmou que a “verborragia” prejudica a imagem do STF e que foi o próprio Gilmar que pediu publicidade dos autos.
"Quando se invoca a necessidade de um Judiciário que transmita segurança à população, convém lembrar que a verborragia produz efeito exatamente oposto", escreveu.
Mendonça é formalmente relator de dois casos de grande repercussão, do INSS e do banco Master, mas atualmente ambos estão com o presidente da Corte, Edson Fachin. Acusado pelos colegas de vazamento, ele voltou a negar que houve complacência com ações do tipo. "Ao contrário, determinou-se a apuração de toda divulgação indevida ocorrida no curso da investigação", disse.
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A manifestação de Mendonça foi uma resposta a texto publicado por Gilmar Mendes na rede social X, quando ele defendeu o procurador-Geral da República, Paulo Gonet, dizendo que ele "tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita", mas que, mesmo assim, "teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam".
A conversa em questão consta em um relatório tornado público por Mendonça da investigação do Master. No relatório da Polícia Federal, mensagens atribuídas a Gonet mostram ele dialogando com Daniel Vorcaro, do Master, por intermédio de um advogado. Há conversas sobre uma viagem a Londres na qual Gonet chega a dizer esperar que tenha "Tomara que tenha charuto e macallan', em referencia a um uísque de valor elevado.
Na nota, Mendonça diz que chama atenção "que a preocupação com a exposição alheia se manifeste de forma seletiva, logo após a requisição de acesso ao aparelho celular de investigado e a divulgação, na imprensa, de conversas de toda ordem que constrangem, coincidentemente, apenas ministros de entendimento diverso". O celular de Vorcaro foi entregue aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Zanin e Gilmar. Depois disso, sugiram conversas de Nunes Marques e Luiz Fux, que compõem a ala Mendonça.
O relator dos casos Master e INSS pontuou ainda, em nota, que "jamais ameaçou quem quer que seja de execração pública, nem se valeu de linguajar impróprio para que alguém se retirasse de julgamento".
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"Tampouco transformou o plenário num palanque ou picadeiro, vociferando aos berros, para tentar mascarar com truculência ilações vazias e que carecem de qualquer fundamento jurídico minimamente aceitável. A divergência é legítima e própria de um tribunal colegiado. Ilegítima é a tentativa de constranger o julgador", ressaltou.