Hugo Motta e Daniel Vorcaro
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro mostram que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pediu para conversar com o banqueiro no mesmo dia em que Vorcaro se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da negociação envolvendo o Banco Master e o BRB.
De acordo com os registros, em 19 de julho de 2025, por volta das 7h, Motta escreveu a Vorcaro que gostaria de falar com ele “antes da reunião” e pediu que o banqueiro ligasse quando pudesse. Os dois conversaram por telefone logo em seguida.
Naquele sábado, Vorcaro e o sócio Augusto Lima se reuniram com Galípolo, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, e o então responsável pela área de Regulação, Gilneu Vivan. Segundo a agenda oficial do BC, o encontro ocorreu das 9h às 10h, em Brasília.
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Oficialmente, a reunião tratou da documentação necessária para a operação de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Naquele período, porém, a negociação era acompanhada por autoridades devido a questionamentos sobre as carteiras de crédito do banco.
Segundo informações divulgadas sobre a investigação, Vorcaro buscava apoio político enquanto a operação era analisada pelo Banco Central. Em 15 de julho de 2025, o BC havia comunicado ao Ministério Público Federal indícios de possíveis crimes relacionados à venda de carteiras do Master ao BRB.
O Banco Central acabou rejeitando a compra do Banco Master pelo BRB em setembro de 2025.
‘NÚMERO 1’ DE HUGO MOTTA
Outras mensagens obtidas pela Polícia Federal também mostram como Vorcaro descrevia sua relação com Hugo Motta.
Em 2 de fevereiro de 2025, em conversa com Luiz Rennó, então diretor jurídico do Master, o banqueiro afirmou que estava em Brasília com “Davi e Hugo”, em referência aos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta.
Questionado por Rennó se tinha bom trânsito com Motta, Vorcaro respondeu: “Transito bem? Kkkk. Sou ‘number 1’. Amigo irmão”. A conversa ocorreu um dia após Motta ser eleito presidente da Câmara, com 444 votos.
A Polícia Federal também já apontou que Vorcaro custeou hospedagens de Motta durante uma viagem a Lisboa, em 2024. O presidente da Câmara afirmou, à época, não ver irregularidade no pagamento das diárias, alegando que a viagem estava relacionada a um evento corporativo e jurídico.
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As mensagens agora analisadas integram as investigações sobre o Banco Master. Os registros, por si só, demonstram os contatos e a forma como Vorcaro descrevia sua relação com Motta, mas a eventual existência de irregularidades nas condutas de autoridades depende da apuração dos fatos e das conclusões das investigações.