Mensagens encontradas pela Polícia Federal em celulares de executivos do Banco de Brasília (BRB) mostram o clima de tensão dentro da instituição após o Banco Central não aprovar a compra do Banco Master, em setembro de 2025.
Em 25 de setembro, durante uma conversa pelo WhatsApp com o diretor de Finanças, Dario Garcia, o superintendente do BRB, Rodrigo Alves dos Santos, fez críticas ao então presidente do banco, Paulo Henrique Costa.
Segundo o relatório da PF, Rodrigo escreveu: “Vorcaro criou as condições para pegarmos todos os ativos que ele queria. Paulo é uma besta, ó senhor”.
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A mensagem, conforme a análise dos investigadores, refletia a avaliação de Rodrigo de que Daniel Vorcaro, controlador do Master, teria estruturado as negociações de forma a transferir ao BRB ativos considerados problemáticos, ilíquidos ou de difícil recuperação.
Segundo as investigações, o BRB teria transferido cerca de R$ 17 bilhões ao Master pela aquisição de carteiras de crédito e outros ativos.
Ainda de acordo com a análise da PF, a equipe técnica do BRB teria identificado papéis, cotas de fundos e imóveis com inconsistências documentais e avaliações consideradas elevadas, enquanto o Master enfrentava dificuldades para realizar repasses bilionários.
Em outra conversa, Rodrigo voltou a criticar Paulo Henrique e o chamou de “doido” ao questionar a tentativa de apresentar uma imagem positiva das operações com o Master enquanto o banco enfrentava alertas do Banco Central, dificuldades de liquidez e auditorias.
Em 17 de outubro de 2025, Rodrigo relatou a Dario uma declaração atribuída a Paulo Henrique durante um evento no Vale do Silício, nos Estados Unidos. Segundo a mensagem, o presidente do BRB teria afirmado que o banco iria “tombar a base de clientes do WILL Bank para o BRB”.
O WILL Bank era uma instituição digital ligada ao Master e posteriormente também foi liquidada.
No relatório, a Polícia Federal observou que uma migração em massa de clientes entre instituições envolve operações complexas e está sujeita a exigências tecnológicas, regulatórias e de compliance.
Para Rodrigo, o anúncio seria mais um sinal de que Paulo Henrique “não cansa de desafiar o BCB”.
Ao analisar as mensagens, a PF concluiu que Paulo Henrique Costa possivelmente teria, de forma reiterada, contrariado, provocado ou ignorado orientações formais ou informais do Banco Central.
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As conclusões fazem parte da análise da Polícia Federal sobre as mensagens apreendidas e integram as investigações relacionadas às operações entre o BRB e o Banco Master.