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Mercado brasileiro de negociações de USDT crescem 32% e ultrapassa os 9 bilhões de reais
Foto: Divulgação

No mercado cripto nacional, junho?de?2025, ficará marcado nos relatórios anuais. Segundo o?“Biscoint?Monitor - Retrospectiva Cripto - Junho/25”, as mesas de negociação brasileiras moveram 1,73?bilhão de?USDT, o que convertido são R$ 9,63?bilhões, um salto de 32% em relação a maio, quando a cifra havia ficado em R$?7,29?bilhões.

 

A métrica mais impressionante é a liquidez diária, que passou de 41,28?milhões para 57,66?milhões de tokens trocando de mãos a cada 24?horas, mesmo com o preço médio da stablecoin recuando de R$?5,69 para R$?5,57.

 

Quem lidera e por quê?

 

A Binance segue na dianteira absoluta do par?USDT?BRL, detendo 81,9% da liquidez em junho, mas o mercado começa a mostrar mais pluralidade, pois o BitPreço já aparece com 5,4% e o Mercado?Bitcoin com 4,7%, enquanto outras plataformas locais ganharam tração sobretudo nos pares de Bitcoin e Ether.

 

Esse rearranjo sugere que parte dos traders está trocando a “ponte” inicial em stablecoins por estratégias que envolvem ativos nativos e tokens de protocolos brasileiros. É justamente nesse momento que muitos estreantes, depois de entrarem via USDT, voltam os olhos para criptomoedas promissoras, buscando multiplicar capital em projetos de maior volatilidade.

 

Do nicho de inteligência artificial a iniciativas de tokenização de ativos do mundo real (RWA), os brasileiros estão sempre atentos as oportunidades que o mercado cripto oferece. A escalada de volumes dá fôlego a essa estratégia, já que liquidez mais profunda reduz o “slippage” em compras de altcoins menos líquidas.

 

Por trás dos números, o boom da stablecoin no país pode ser explicado pelo câmbio e pelo avanço regulatório. Com o real testando a faixa de R$?5,70 no início de junho, investidores minoristas enxergaram no USDT um cofre dolarizado instantâneo e de baixo custo para pequenas somas.

 

E o Banco?Central colocou em consulta pública a minuta que enquadra prestadores de serviços de ativos virtuais, passo considerado chave para a futura integração do Drex, o Real Digital, com stablecoins privadas em redes públicas.

 

Na prática, a possibilidade de migrar reais para dólares tokenizados em minutos, via?Pix, cria um “colchão” contra a volatilidade local e abre espaço para pagamentos internacionais sem tarifa bancária. Plataformas de remessas que convertem BRL?USDT?USD já reportam crescimento na base de usuários, reflexo dessa busca por proteção cambial.

 

Os sinais de maturidade do mercado cripto BR

 

Mesmo em alta, o fluxo não se resume a especulação. Relatórios de compliance publicados pelas principais exchanges mostram que boa parte do volume de USDT movimentado no Brasil em junho foi imediatamente convertido em outros criptoativos.

 

Algo que coincide com a queda na participação da Binance nos pares?BTC?BRL e?ETH?BRL, agora em 53,5% e 49,7%, respectivamente. A BitPreço, por sua vez, ampliou fatia para 14,8% e 12,8%, reforçando a tese de descentralização da liquidez.

 

A guinada de?32% nos volumes de USDT abriu espaço para um redesenho da liquidez em todo o ecossistema cripto nacional. Dados do Biscoint?Monitor mostram que, enquanto a stablecoin movimentava R$?9,63?bilhões em junho, o par?BTC?BRL registrou R$?5,18?bilhões (alta de 5,7?%) e o?ETH?BRL cedeu 2,4% no mesmo período.

 

Esse descompasso indica que o investidor doméstico usa a ponte dolarizada para, em seguida, girar capital em altcoins de maior risco?retorno. Segundo Gabriel Galípolo, diretor do Banco Central, hoje, cerca de 90% das transações cripto no Brasil já estão vinculadas a stablecoins, sobretudo para pagamento e remessa.?

 

A autoridade monetária enxerga o fenômeno como etapa preliminar para o Drex, o real tokenizado que deve entrar em produção piloto até o fim de 2025, permitindo contratos inteligentes ancorados em depósitos bancários programáveis.? A perspectiva de interoperabilidade entre Drex, Pix e stablecoins privadas já mexe com as mesas de OTC.

 

Fintechs de remessa inauguraram fluxos “Pix?USDT?USD” que liquidam em minutos, modelo que deve se estabelecer uma vez que o Pix, segundo a Ebanx, ultrapasse o cartão de crédito no comércio eletrônico nacional até o fim de 2025. O resultado é um mercado mais líquido e, portanto, mais atraente para projetos em estágio inicial de capitalização.

 

Nesse ambiente, tokens ligados a IA (como RNDR), a protocolos de jogos (caso ILV) e a “real?world assets” (RWA) tokenizados pela unidade?MB?Tokens do Mercado?Bitcoin despontam entre as preferências dos traders brasileiros, conforme relatório interno da exchange.

 

Mesmo assim, o avanço depende de regulamentação clara. O BACEN pretende submeter ao Congresso, ainda neste semestre, o projeto que enquadra emissores de stablecoins sob o guarda?chuva da Lei?14.478/22.

 

A minuta traz exigência de reserva integral em dólar e segregação patrimonial. Medidas essas que podem reduzir riscos sistêmicos e, ao mesmo tempo, baratear a custódia institucional de altcoins tokenizadas em reais.

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