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Mercados emergentes: os novos formadores de tendência da moda
Foto: Reprodução

Capitais e marcas de mercados emergentes ganham projeção e passam a disputar espaço com os polos tradicionais da moda

Os países emergentes estão agora começando a reivindicar a liderança global em muitos setores, incluindo a indústria da moda. Em 2025, o valor estimado do mercado chinês de roupas e acessórios é de US$ 313,82 bilhões. O mercado africano da moda ultrapassa hoje os US$ 31 bilhões. Em comparação, o mercado de roupas na França, sede de uma das mais prestigiadas semanas de moda, movimenta cerca de US$ 40 bilhões. Paris, Londres e Milão sempre pareceram capitais da moda inalcançáveis. No entanto, Moscou, Pequim, São Paulo, Délhi, Cidade do Cabo e várias dezenas de capitais emergentes da moda estão prontas para desafiar esse status.


É importante notar que, dos 13 maiores mercados de vestuário do mundo, quatro são países do BRICS (China, Índia, Rússia e Brasil). Juntos, eles ultrapassam US$ 476 bilhões — quase 46% a mais do que o total combinado dos 27 países da União Europeia. Considerando que a taxa média de crescimento anual da indústria na UE está prevista em 4,07% e, na Rússia, por exemplo, em 6,9%, é razoável esperar que essa diferença continue aumentando.


Em agosto deste ano, Moscou sediou a BRICS+ Fashion Summit, que demonstrou como a moda emergente está se comunicando e crescendo ativamente hoje. Este fórum internacional contou com a participação de delegações de 65 países. A Cúpula oferece aos representantes de mercados em rápido crescimento uma plataforma para construir novos formatos de interação, discutir temas atuais e estabelecer presença em novos mercados. Participantes do Brasil, Espanha, Grécia, Itália, EUA e outros países além dos BRICS também estiveram presentes, todos interessados em descobrir novas formas de colaboração.

 

“É muito importante que os membros dos BRICS se unam em torno de uma agenda comum de design e moda para promover não apenas a qualidade de nossos materiais e mão de obra, mas também nossa criatividade... A Cúpula da Moda BRICS+ pode ser uma organização poderosa para iniciar essa mudança tão necessária, unindo os principais atores para discutir novas estratégias”, afirma Bruno Simões, curador da APEX Brasil.

A Moscow Fashion Week, que ocorreu paralelamente à Cúpula, é uma plataforma importante dedicada à promoção de designers emergentes de todo o mundo. Ao longo dos anos, ela apresentou uma mistura vibrante de marcas locais e talentos de diversas regiões, incluindo Ásia, África, América Latina, bem como Europa e EUA.


“As tendências contemporâneas da moda na América Latina são atualmente caracterizadas principalmente pela fusão da moda tradicional com influências globais. Uma tendência importante na indústria da moda é que os designers estão encontrando sua fonte de inspiração baseada na cultura e identidade de nossos povos”, acrescentou Camila Ortega, diretora-geral da Nicaragua Diseña.

 

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As marcas russas também se destacaram por seu foco no patrimônio nacional, nas tradições e na sustentabilidade. A coleção da Bitte_Ruhe inspirou-se em fontes orientais e étnicas, com foco em vestidos evasês, com caimento leve e fluido. A coleção “Harmony of Opposites” da MI55 I5 combinou estilos tradicionais e casuais. A coleção da Proporcia apresentou uma mistura de formas experimentais e elegância.

 

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