Investidores avaliam impactos das novas sobretaxas anunciadas por Donald Trump enquanto Focus projeta inflação menor e possível queda da Selic
O dólar apresentou volatilidade nesta segunda-feira (23/2), refletindo as incertezas globais após o anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos. No início do pregão, a moeda americana chegou a subir levemente frente ao real, mas inverteu o movimento ao longo da manhã. Por volta das 11h, registrava queda e era negociada na faixa de R$ 5,16. Na sexta-feira anterior, havia encerrado em baixa, no menor patamar desde o fim de maio de 2024.
Já o Ibovespa, principal índice da B3, operava em queda no início da sessão, após ter alcançado um novo recorde histórico no fechamento anterior, quando superou os 190 mil pontos.
O ambiente de cautela é atribuído ao novo regime de tarifas globais anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que fixou sobretaxas de 15% sobre importações.
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Apesar do clima de incerteza nos mercados, levantamento da Global Trade Alert aponta que o Brasil pode estar entre os países mais favorecidos pelo novo modelo tarifário, com redução significativa na média das taxas aplicadas aos seus produtos. A China também aparece entre as economias potencialmente beneficiadas, enquanto Reino Unido, União Europeia e Japão estariam entre os mais impactados negativamente.
FOCUS PROJETA INFLAÇÃO MENOR
No cenário doméstico, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil, trouxe nova revisão para baixo nas projeções de inflação para 2026 a sétima queda consecutiva. A estimativa para o IPCA recuou para 3,91%.
A perspectiva de inflação mais controlada reforça as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) possa iniciar um ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano. Para o fim de 2026, o mercado projeta juros mais baixos e câmbio levemente menor, fatores que contribuem para aliviar as pressões inflacionárias.
Com isso, investidores seguem atentos tanto aos desdobramentos do cenário internacional quanto às próximas decisões de política monetária no Brasil.