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Mesmo com penas mais duras, feminicídios continuam crescendo no Brasil
Foto: Bruno Santos

Manifestantes se reúnem em frente ao Masp em ato organizado pelo coletivo Levante Mulheres Vivas, protestando contra o aumento dos casos de feminicídio e a violência contra a mulher

A criação do crime de feminicídio no Brasil teve como objetivo combater a violência extrema contra mulheres, mas os números mostram que o aumento das penas não reduziu esse tipo de crime. Especialistas apontam que o endurecimento da legislação penal nem sempre se traduz em mais segurança pública.

 

Desde a década de 1990, com a criação da Lei dos Crimes Hediondos, o país vem ampliando penas para diversos crimes. No entanto, essa política de punição mais severa não foi acompanhada por uma queda significativa da criminalidade.

 

O feminicídio passou a ser reconhecido na legislação brasileira em 2015, com a Lei nº 13.104, quando foi incluído como qualificadora do homicídio, com pena de 12 a 30 anos de prisão. Na época, dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública registravam 621 casos em 2016.

 

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Quase uma década depois, os números cresceram. O anuário de 2025 do mesmo órgão aponta que, em 2024, foram registrados 1.467 feminicídios no país.

 

Em 2024, uma nova mudança legislativa transformou o feminicídio em crime autônomo, por meio da Lei nº 14.994. A pena passou a variar de 20 a 40 anos de prisão, podendo chegar a 60 anos em casos com agravantes.

 

Mesmo após um ano completo de vigência da nova legislação, dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil indicam que 1.530 feminicídios foram registrados em 2025.

 

Para parte dos analistas, os dados mostram que o aumento das penas, por si só, não é suficiente para enfrentar um problema complexo e estrutural como a violência contra mulheres.

 

O feminicídio é definido como o assassinato de mulheres motivado por sua condição de gênero. Outros crimes motivados por intolerância ou preconceito, como racismo ou violência contra pessoas LGBTQIA+, também são apontados por especialistas como fenômenos que exigem políticas públicas específicas.

 

Ato do Dia da Mulher em São Paulo destaca casos de feminicídio

Ato do Dia da Mulher em São Paulo. (Foto: Reprodução)

 

Críticos da legislação atual afirmam que o modelo pode gerar discussões jurídicas sobre proporcionalidade das penas, já que, em determinadas situações, a punição pode superar a prevista para outros crimes considerados extremamente graves no direito internacional, como genocídio ou crimes contra a humanidade previstos no Estatuto de Roma, que instituiu o Tribunal Penal Internacional.

 

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Especialistas defendem que o combate à violência de gênero precisa ir além do endurecimento penal, incluindo políticas de prevenção, educação, proteção às vítimas e mudanças culturais para enfrentar as raízes desse tipo de violência. 

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