A quebra do silêncio no tatame expõe o rastro de abuso de quem usava a liderança esportiva como escudo para o crime.
O cenário do jiu-jítsu brasileiro foi abalado por revelações contundentes exibidas pelo programa Fantástico. O treinador e policial civil Melqui Galvão, figura de destaque no esporte, é o centro de uma investigação que apura uma série de crimes graves, incluindo abuso sexual, manipulação e ameaças contra ex-alunas. O caso, que tramita sob sigilo, já resultou na prisão temporária do investigado em Manaus.
Os depoimentos colhidos pela Polícia Civil de São Paulo desenham um cenário de vulnerabilidade explorada. Uma das vítimas relatou que, ainda adolescente e durante uma viagem para uma competição internacional, recebeu de Galvão um medicamento sob a justificativa de que precisava "relaxar". Ao adormecer, a jovem afirma ter acordado assustada enquanto o treinador tocava seu corpo por baixo das roupas.
Outro relato aponta para uma conduta que teria começado muito cedo: uma ex-atleta afirmou que os assédios tiveram início quando ela tinha apenas 12 anos. Dois anos depois, ela teria sido vítima de conjunção carnal. Segundo o depoimento, o treinador tentava normalizar os atos, afirmando que manter relações com alunas era uma prática comum em sua rotina.
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Uma terceira vítima, embora não tenha relatado abuso físico, descreveu um ambiente de controle psicológico extremo, com manipulação sobre a alimentação e insinuações de favorecimento esportivo em troca de proximidade pessoal.
Um dos pontos centrais da investigação é o uso da função pública de Melqui Galvão para silenciar possíveis denúncias. Por ser policial civil no Amazonas, ele teria intimidado as jovens, sugerindo que qualquer tentativa de levar o caso às autoridades seria imediatamente descoberta por ele. De acordo com a delegada Mariene Andrade, esse status de "líder inquestionável" e "agente da lei" permitiu que ele ganhasse a confiança das famílias antes de iniciar a escalada de abusos.
A prisão de Melqui Galvão foi decretada após a Justiça identificar tentativas de interferência no processo, incluindo a possível destruição de evidências.
Além da detenção, foi autorizada a quebra do sigilo de seus dispositivos eletrônicos para buscar novas provas. No momento, ele responde por estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo informático.
Enquanto a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas confirmou o afastamento de Galvão de suas funções policiais, a defesa do treinador sustenta sua inocência. Em nota, seus advogados afirmam que ele nega todas as acusações e que aguardam o acesso completo aos autos para apresentar o contraditório.
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A polícia acredita que, com a repercussão do caso, novas vítimas possam se sentir seguras para formalizar denúncias e ajudar a esclarecer a real dimensão das condutas do investigado.