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Metanol; entenda como beber menos se relaciona à economia na saúde pública
Foto: Reprodução/Freepik/Wirestock - Arquivo

Parte dos consumidores migrou para outras bebidas, como cervejas e vinhos, enquanto outros aproveitaram o momento para abandonar completamente o álcool

De acordo com a ACT Promoção da Saúde, uma redução de 10% no consumo de álcool pela população brasileira evitaria cerca de 5,6 mil mortes por ano e geraria economia de R$ 1 bilhão em gastos públicos.

 

Uma queda de 20% no consumo resultaria na prevenção de 11,4 mil mortes e na redução de R$ 2,1 bilhões em custos estatais.

 

No Distrito Federal, levantamento do Sindhobar-DF (Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares) aponta queda entre 15% e 20% no consumo de destilados, após a crise com bebidas adulteradas.

 

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Parte dos consumidores migrou para outras bebidas, como cervejas e vinhos, enquanto outros aproveitaram o momento para abandonar completamente o álcool.

 

Um desses casos é o do diretor de fotografia Nícollas Lopes, de 26 anos, que costumava beber duas vezes por semana e decidiu parar após a crise do metanol.

 

“Nesse pouco tempo, notei estar com mais clareza mental e disposição para fazer as coisas do meu dia a dia”, relatou.

 

Segundo ele, a mudança impactou parte das amizades. “Os amigos que se reuniam para beber, não tenho mais visto muito, já que não tenho frequentado também festas”, afirmou. “Mas em outros círculos e com outras atividades, permanece tudo igual”, completou.

 

O Distrito Federal está entre as unidades da federação com maior consumo de bebidas alcoólicas. Dados do Boletim Epidemiológico de 2023, da Secretaria de Saúde (SES-DF), mostram que um em cada quatro moradores apresentou consumo abusivo.

 

O DF ocupa a segunda posição nacional, atrás apenas de Salvador (BA). Outro levantamento, do IPC Maps, indica gasto superior a R$ 650 milhões em bebidas alcoólicas em 2024.

 

 

CONSUMO DE ÁLCOOL E GASTOS PÚBLICOS

 

Os custos gerados pelo consumo de bebidas alcoólicas são classificados em diretos — referentes ao atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) — e indiretos, como perdas de produtividade, licenças médicas, pensões e aposentadorias precoces.

 

Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), 24 enfermidades estão associadas ao consumo de álcool.

 

A coordenadora do Projeto Álcool da ACT Promoção da Saúde, Laura Cury, explica que, entre as consequências diretas e indiretas estão atendimentos e internações por doenças e lesões relacionadas, como cirrose hepática, cânceres, doenças cardiovasculares e acidentes de trânsito.

 

“Além disso, são frequentes as demandas nas emergências e pronto-socorros por causas externas e violências, doméstica e pública, assim como gastos em tratamento de dependência, reabilitação, medicamentos e serviços de saúde mental”, continua.

 

Cury acrescenta que os custos indiretos atingem o Estado com perda de produtividade, afastamentos e aposentadorias precoces por invalidez.

 

“O álcool pressiona o SUS ao aumentar a incidência de doenças, traumas e demandas de cuidado, o que eleva gastos públicos e desvia recursos que poderiam ser investidos em prevenção e promoção da saúde”, reforça.

 

 

COMO O ÁLCOOL AFETA O CORPO?

 

O hepatologista do HUB-UnB/Ebserh, Henrique Rocha, explica que o álcool atua diretamente no sistema nervoso central, alterando a comunicação entre o cérebro e o corpo.

 

“Em pequenas quantidades, ele dá a sensação de relaxamento e euforia, porque estimula a liberação de dopamina. Porém, à medida que o consumo aumenta, o álcool deprime o funcionamento do cérebro, prejudicando o raciocínio, os reflexos e o controle motor”, afirma.

 

Segundo Rocha, os efeitos de curto prazo incluem desidratação, dor abdominal, náusea, vômito, diarreia e alterações de comportamento, com variação entre sonolência e agressividade.

 

A longo prazo, os danos são mais severos e afetam principalmente o fígado.

 

“O uso crônico do álcool causa esteatose, acúmulo de gordura no fígado, que pode evoluir para hepatite aguda alcoólica”, explica. “Com o passar dos anos, pacientes com uso crônico da bebida podem desenvolver cirrose, que é a perda progressiva da função do fígado, de maneira irreversível”, complementa.

 

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O médico ressalta a relação do álcool com alguns tipos de câncer e transtornos psiquiátricos.

 

Fonte: Gazeta Digital

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