No coração da Amazônia, onde as águas escuras do Encontro das Águas abraçam o barrento do Rio Solimões sem jamais se misturar, uma história de fé e esperança emergiu em meio ao desespero.
Um bebê prematuro de apenas cinco dias de vida foi resgatado com vida após o naufrágio da lancha de passageiros Lima de Abreu XV, ocorrido nesta sexta-feira (13), nas proximidades do fenômeno natural mais emblemático da Amazônia. A criança, nascida com 35 semanas, foi colocada dentro de um cooler de plástico pela própria mãe para protegê-la enquanto a embarcação afundava e os passageiros lutavam para sobreviver à deriva.
A lancha, operada pela empresa Lima de Abreu Navegações, havia saído de Manaus por volta de 12h30 com destino a Nova Olinda do Norte. Pouco tempo depois, o inesperado: a embarcação naufragou, lançando dezenas de pessoas nas águas do rio.
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Segundo o Corpo de Bombeiros, duas pessoas perderam a vida, sete seguem desaparecidas e 71 foram resgatadas com ferimentos leves. As causas do acidente ainda estão sendo investigadas.
Mas, no meio da tragédia, a cena que correu o Amazonas foi a do recém-nascido salvo. Dentro do pequeno recipiente improvisado como arca de sobrevivência, o bebê resistiu às águas enquanto os passageiros aguardavam socorro. A mãe, que havia viajado à capital para dar à luz e retornava para casa, enfrentou o pior pesadelo de qualquer mulher — e viveu o que muitos já chamam de milagre.
Vídeos obtidos pela Rede Amazônica mostram o desespero de adultos e crianças agarrados a botes salva-vidas, embarcações vizinhas prestando ajuda e o momento em que o relato da mulher que participou do resgate emociona quem assiste. Ela conta que o bebê foi mantido dentro do cooler para evitar que se afogasse — uma atitude rápida que pode ter feito toda a diferença entre a vida e a morte.
Cerca de 25 bombeiros, três lanchas e oito viaturas atuaram na ocorrência, além de uma lancha da Polícia Militar e uma ambulância do Samu. A Marinha do Brasil também enviou equipe ao local, e uma aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Noroeste sobrevoou a área para auxiliar nas buscas e na apuração inicial do acidente.
Em meio às águas que não se misturam, a vida insistiu em permanecer. No encontro dos rios, encontrou-se também a fé. Para muitos, não foi apenas um resgate — foi um sinal de que, mesmo quando tudo parece afundar, há forças invisíveis que sustentam e protegem.
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