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Milei reduziu número de novos aposentados em 53% na Argentina
Foto: Reprodução

Javier Milei, presidente da Argentina

A promessa do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de promover um “tesouraço” nas despesas públicas, inspirado no ajuste fiscal do presidente argentino Javier Milei, provocou questionamentos sobre o alcance das medidas. O plano ainda não foi detalhado, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobra explicações sobre os possíveis cortes. Flávio, por sua vez, nega a intenção de atingir aposentadorias e programas sociais.

 

Uma das medidas defendidas por setores do mercado financeiro para reduzir os gastos públicos é a desindexação das aposentadorias em relação ao salário mínimo. A mudança limitaria os reajustes à inflação, sem garantir ganhos reais. Atualmente, o salário mínimo brasileiro pode ter aumento acima da inflação, dentro das regras vigentes, e esse mecanismo influencia o valor dos benefícios previdenciários vinculados ao piso nacional.

 

Na Argentina, o governo Milei promoveu mudanças nas regras previdenciárias, incluindo o encerramento da moratória que permitia a regularização de contribuições para trabalhadores que não completaram o tempo mínimo exigido. Segundo dados dos Boletins Estatísticos da Previdência Social do país, o número de novos aposentados caiu de 213,9 mil no primeiro semestre de 2024 para 99,6 mil no mesmo período de 2026, uma redução de aproximadamente 53%.

 

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Outra alteração foi a adoção, em março de 2024, de reajustes mensais das aposentadorias com base na inflação. Um levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa) apontou que, em junho de 2026, o benefício mínimo estava 21,6% abaixo do valor que teria alcançado caso a fórmula anterior de reajuste fosse mantida. O governo Milei também restringiu o acesso à gratuidade de medicamentos para aposentados, enquanto vetou propostas aprovadas pelo Congresso argentino para melhorar os valores dos benefícios.

 

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As medidas têm provocado protestos de aposentados em Buenos Aires. Segundo o advogado argentino Luciano González Etkin, especialista em seguridade social, a política de reajustes consolidou perdas no poder de compra dos beneficiários. O debate sobre o modelo argentino aumenta a pressão para que Flávio Bolsonaro esclareça quais despesas pretende reduzir no Brasil e se eventuais mudanças poderão afetar os benefícios previdenciários e os programas sociais. 

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