Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo está preso desde setembro por suspeita de envolvimento em esquema ligado ao PCC. Cinco servidores foram afastados durante as investigações.
O ex-vereador Milton Leite (União Brasil) foi transferido da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, na manhã desta terça-feira (20), após denúncias de supostas regalias recebidas durante o período em que esteve preso na unidade. O político está detido desde setembro, sob suspeita de envolvimento em um esquema relacionado à atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público.
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, Milton Leite deixou a unidade prisional por volta das 9h. O destino do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo não foi informado pelas autoridades. A transferência ocorreu em meio às investigações sobre possíveis favorecimentos concedidos ao político dentro da carceragem.
As suspeitas começaram a ser investigadas após uma denúncia anônima apontar que Milton Leite estaria recebendo visitas de políticos e amigos fora dos dias e horários permitidos. Os encontros teriam ocorrido inclusive durante a noite e nos fins de semana, em desacordo com as regras estabelecidas para os demais presos.
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Na última sexta-feira (16), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, deflagrou a Operação Custódia (In)Fiel para investigar possíveis irregularidades na unidade prisional. Durante a ação, foram apreendidos aproximadamente R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro suspeito de facilitar os supostos benefícios.
Entre as pessoas que teriam realizado visitas sem autorização formal estão Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e os deputados estaduais Delegado Olim (PP) e Rogério Franco (PL). As circunstâncias desses encontros fazem parte das apurações conduzidas pelas autoridades responsáveis pela investigação.
No sábado (17), a Polícia Civil de São Paulo determinou o afastamento de três delegados, um investigador e um carcereiro que atuavam em Mogi das Cruzes. A Secretaria de Segurança Pública informou que os cinco servidores prestaram depoimentos à Corregedoria Geral e que foram instaurados um inquérito policial e um procedimento disciplinar para apurar possíveis responsabilidades.
Milton Leite foi preso em setembro durante a Operação Vectura Corrupta, que investiga a suposta infiltração do PCC em empresas de transporte coletivo de São Paulo. Segundo os investigadores, o esquema envolveria empresários, advogados e agentes públicos, além de suspeitas de lavagem de dinheiro, direcionamento de licitações e utilização de empresas para beneficiar integrantes da organização criminosa.
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A defesa do ex-vereador nega que ele tenha recebido qualquer tratamento diferenciado na prisão e afirma que o político sempre esteve submetido às mesmas regras aplicadas aos demais detentos. Os advogados também contestam as acusações relacionadas ao suposto esquema criminoso. As investigações continuam, e as autoridades ainda não divulgaram informações sobre a nova unidade onde Milton Leite ficará custodiado.