Preso há um mês sob suspeita de ligação com esquema investigado no transporte público paulistano, ex-vereador recebeu o deputado Delegado Olim e teria se reunido com outros políticos; visitas também são alvo de apuração sobre possíveis privilégios na cade
O ex-vereador de São Paulo Milton Leite (União Brasil), preso temporariamente há cerca de um mês durante uma investigação sobre suspeitas de infiltração do crime organizado em empresas de ônibus da capital paulista, recebeu políticos na cadeia pública de Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo. Durante uma das visitas, o deputado estadual Delegado Olim (PP) afirmou ter tratado com ele de articulações para assumir a liderança da federação partidária formada pelo União Brasil e pelo PP na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
A informação foi divulgada neste domingo (18), quando Olim confirmou à Folha de S.Paulo que esteve com Milton Leite após o primeiro turno das eleições. O deputado pretende ocupar a liderança da federação a partir de fevereiro, com o início da nova legislatura.
Mesmo após a prisão, Leite mantém os cargos de presidente do diretório municipal do União Brasil e tesoureiro da executiva estadual. Ele também é copresidente estadual da federação, posição que torna seu aval relevante para a definição da liderança na Assembleia.
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“Fui lá estritamente para quê? Para pegar o partido dele, que agora é meu, porque eu quero ser o líder da federação dia 2 de fevereiro”, declarou Olim à publicação.
O parlamentar afirmou que Leite já havia orientado integrantes do partido a apoiá-lo. Segundo ele, a conversa ocorreu em uma sala de visitas da unidade prisional e durou aproximadamente 30 minutos.
Olim também disse ter conhecimento de que dezenas de deputados visitaram o ex-vereador na cadeia durante o último mês, mas não apresentou nomes. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também teria estado no local, acompanhado da esposa, que é advogada. Olim afirmou que sua visita ocorreu no dia seguinte à de Valdemar.
A Folha de S.Paulo informou que procurou o dirigente do PL e sua esposa neste domingo, mas não recebeu resposta.
OPERAÇÃO INVESTIGA POSSÍVEIS PRIVILÉGIOS NA PRISÃO
As visitas de políticos a Milton Leite passaram a ser observadas em meio a uma investigação sobre possíveis regalias concedidas ao ex-vereador durante a custódia.
Na sexta-feira (16), o Ministério Público de São Paulo e a Corregedoria da Polícia Civil realizaram a operação Custódia (In)Fiel. Durante a ação, foram apreendidos R$ 155 mil e cerca de US$ 10 mil, equivalentes a aproximadamente R$ 50,7 mil, com um carcereiro suspeito de facilitar privilégios ao ex-parlamentar.
Também foram cumpridos mandados de busca no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes e em uma residência no município. Após a operação, três delegados, um investigador e um carcereiro foram afastados por decisão da Delegacia-Geral da Polícia Civil. Os nomes dos policiais afastados não foram divulgados integralmente.
Segundo informações publicadas pela imprensa, os nomes de Delegado Olim e Valdemar Costa Neto apareceram no depoimento da delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarete Barreto, que está entre os agentes afastados.
A delegada afirmou estar com a consciência tranquila e disse confiar que os fatos serão esclarecidos. Ela explicou que estava de férias após passar por duas cirurgias.
Barreto também declarou que a televisão disponibilizada ao ex-vereador e orecebimento de marmitas teriam sido autorizados pelo juiz corregedor durante uma inspeção realizada enquanto ela estava afastada.
A Secretaria da Segurança Pública informou que um inquérito policial e um procedimento disciplinar vão apurar as circunstâncias do caso, sem descartar outras medidas.
DEFESA NEGA TRATAMENTO DIFERENCIADO
Em nota, a defesa de Milton Leite negou que ele tenha recebido benefícios indevidos durante a prisão. Segundo os advogados, o ex-vereador está submetido às mesmas regras e restrições aplicadas aos demais detentos.
O advogado Aloísio Medeiros afirmou que, nas ocasiões em que esteve com o cliente na cadeia, observou o rigor das normas do sistema prisional. Ele também questionou a necessidade de manutenção da prisão temporária.
“Acredito que na absoluta ausência de elementos que justifiquem a manutenção da prisão temporária de Milton Leite, há uma tendência ao exagero”, declarou.
O advogado acrescentou que não encontrou políticos durante suas visitas ao ex-vereador.
EX-VEREADOR É INVESTIGADO POR SUSPEITA DE LIGAÇÃO COM EMPRESAS DE ÔNIBUS
Milton Leite foi preso no âmbito da operação Vectura Corrupta, deflagrada em setembro para investigar suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo por ônibus da capital paulista. Ele nega ter cometido crimes.
Os investigadores suspeitam que o ex-vereador seria o verdadeiro proprietário da Transwolff, empresa que operou linhas de ônibus em São Paulo e teve o contrato rompido pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) após suspeitas de envolvimento com a facção criminosa.
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, o pedido de prisão se baseou em menções ao nome de Leite feitas por terceiros. Uma delas aparece em um áudio encontrado em um celular apreendido; outra consta em depoimentos prestados por policiais à Corregedoria da Polícia Militar.
As referências estão relacionadas a possíveis conexões do ex-vereador com empresas investigadas na operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 para apurar suspeitas de infiltração do PCC no transporte coletivo paulistano.
De acordo com as informações sobre as representações policiais e do Ministério Público, não foram apresentados nesses documentos outros elementos, como registros de pagamentos ou vínculos societários diretos entre Leite e as empresas ou pessoas investigadas.
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As suspeitas seguem sob investigação, e a defesa nega irregularidades atribuídas ao ex-vereador.