Organoides cerebrais responderam a estímulos elétricos e melhoraram desempenho em tarefa clássica de engenharia.
Pesquisadores do Instituto de Genômica da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, demonstraram que organoides cerebrais — conhecidos como “minicérebros” podem ajustar sua atividade neural para melhorar o desempenho em um desafio virtual de engenharia. O estudo foi publicado na quinta-feira (19) na revista Cell Reports.
Os organoides são estruturas tridimensionais cultivadas em laboratório a partir de células-tronco. Embora não sejam cérebros completos nem possuam consciência, eles reproduzem características do córtex cerebral, como a formação de redes neurais e a atividade elétrica entre neurônios.
Para testar a capacidade de adaptação desses tecidos, os cientistas utilizaram o problema clássico conhecido como “cart-pole”. Nele, um sistema precisa manter um poste equilibrado sobre um carrinho em movimento tarefa que exige respostas rápidas e ajustes constantes, semelhante a equilibrar uma régua na ponta do dedo.
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Os organoides foram conectados a um sistema que enviava sinais elétricos correspondentes à posição do poste. A atividade elétrica gerada pelos neurônios era então convertida em comandos para movimentar o carrinho. Quando o desempenho melhorava, os estímulos eram ajustados de forma organizada, em um processo chamado feedback adaptativo.
Os resultados mostraram que os organoides submetidos a estímulos estruturados conseguiram aprimorar o desempenho ao longo do teste. Já aqueles que receberam sinais aleatórios ou nenhum estímulo tiveram desempenho significativamente inferior.
O estudo não indica que os minicérebros “pensam” ou compreendem a tarefa. O que os pesquisadores observaram foi a capacidade das redes neurais de reorganizar sua atividade diante de estímulos consistentes. Esse efeito, no entanto, foi temporário: após cerca de 45 minutos sem estímulação, o desempenho retornava ao nível inicial.
Mesmo assim, o experimento representa um avanço importante. Ele oferece um modelo biológico controlado para investigar como redes neurais aprendem e se reorganizam processo fundamental para compreender doenças como Alzheimer e Parkinson.
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Embora ainda distante da ideia de um “computador biológico”, a pesquisa reforça que tecidos cerebrais cultivados em laboratório podem responder de forma adaptativa a desafios, contribuindo para o entendimento dos mecanismos básicos do aprendizado humano.