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Ministério da Saúde do Brasil e indústria apostam em inovação para reverter queda no uso de preservativos
Foto: Reproduçao

Com adesão em declínio, governo amplia distribuição no Sistema Único de Saúde e marcas investem em versões ultrafinas e texturizadas para recuperar interesse

O uso de preservativos no Brasil vem apresentando sinais de estagnação e até leve queda, especialmente entre os mais jovens. Dados da última Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, mostram que 59% dos brasileiros afirmaram não ter utilizado camisinha em nenhuma relação sexual nos 12 meses anteriores à entrevista. Outros 17,1% disseram usar às vezes, enquanto apenas 22,8% relataram uso em todas as relações.

 

Apesar de os números não serem recentes, especialistas do Ministério da Saúde avaliam que a tendência permanece semelhante. Segundo Draurio Barreiro Neto, diretor do departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) da pasta, a procura pelos preservativos distribuídos na rede pública não apresenta crescimento há cerca de uma década.

 

“Esperávamos aumento na demanda, mas observamos estabilidade e até leve declínio, principalmente entre os mais jovens”, afirma.

 

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Como estratégia para ampliar a adesão, o SUS passou a oferecer, em 2025, duas novas versões de preservativos: a ultrafina e a texturizada, além do modelo tradicional de látex. A iniciativa busca associar proteção e prazer, combatendo a percepção de que o método compromete a experiência sexual.

 

Nos três meses que antecederam o Carnaval, o Ministério da Saúde distribuiu 138 milhões de preservativos para reforçar estoques em todo o país. Do total, cerca de 132 milhões são preservativos externos (incluindo as novas versões) e 3,8 milhões são preservativos internos.

 

Nesta sexta-feira (13), véspera do Carnaval, é celebrado o Dia Internacional do Preservativo, criado para incentivar o uso responsável e ampliar a conscientização sobre prevenção.

 

A redução no uso de preservativos não é exclusiva do Brasil. Em 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou relatório mostrando queda no uso de preservativos entre adolescentes europeus. Entre 2014 e 2022, o percentual de meninos que usaram camisinha na última relação sexual caiu de 70% para 61%, enquanto entre meninas passou de 63% para 57%. Além disso, 30% dos adolescentes afirmaram não ter utilizado nenhum método contraceptivo na última relação.

 

Pesquisa global da marca Durex aponta que o Brasil ocupa o 14º lugar em uso de preservativos, com 32% dos entrevistados declarando ter usado o método no último ano índice abaixo de países como Peru (41%) e México (33%).

 

Apesar do cenário de alerta, fabricantes afirmam que o mercado brasileiro apresenta estabilidade. Empresas têm investido em produtos com apelo sensorial, como preservativos texturizados, com sabor ou que prometem maior sensação de contato “pele com pele”, tentando reconquistar consumidores.

 

Levantamentos do setor indicam que a adesão diminui com a idade: entre jovens de 18 a 24 anos, o uso chega a 61%, mas cai progressivamente nas faixas etárias seguintes, alcançando 30% entre pessoas com mais de 65 anos.

 

Para infectologistas, a baixa adesão está relacionada à percepção de redução do prazer e da intimidade. Rico Vasconcelos, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), afirma que muitos pacientes relatam desconforto com o uso consistente do método.

 

Especialistas defendem a chamada prevenção combinada, que associa diferentes estratégias conforme o perfil e o risco de cada pessoa. Entre elas estão:

 

PREP (PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO AO HIV), DISTRIBUÍDA PELO SUS DESDE 2017;

 

PEP (profilaxia pós-exposição), disponível desde 1999;

 

DoxiPEP, em avaliação para incorporação nacional;

 

Anticoncepcionais, DIU e outros métodos contraceptivos;

 

Testagem regular e vacinação contra HPV e hepatites A e B.

 

O número de usuários de PrEP cresceu de 55 mil para 150 mil em dois anos, com expectativa de alcançar 200 mil pessoas até o fim de 2026.

 

Mesmo com a ampliação dessas estratégias, o preservativo continua sendo o único método capaz de oferecer proteção simultânea contra gravidez e a maioria das infecções sexualmente transmissíveis. Em 2024, o Brasil registrou 9.100 mortes por Aids — uma queda de 13% em relação ao ano anterior e o menor número em três décadas.

 

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