Projeto-piloto acompanhará 250 pacientes no Rio Grande do Sul para avaliar eficácia, segurança e viabilidade do uso da medicação na rede pública.
O Ministério da Saúde deu início, nesta sexta-feira (27), a um projeto-piloto que vai avaliar o uso da semaglutida no tratamento da obesidade em pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa será realizada com usuários acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul.
A semaglutida é o princípio ativo de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como "canetas emagrecedoras". O estudo pretende analisar a eficácia, a segurança, o impacto clínico e os custos da utilização desse tipo de tratamento na rede pública de saúde.
Nesta primeira etapa, serão selecionados 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças, como problemas cardíacos, e que também tenham indicação para cirurgia bariátrica. Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos pacientes atendidos pela unidade apresenta obesidade mórbida, embora menos da metade tenha condições clínicas para realizar o procedimento cirúrgico.
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Durante os dois anos de pesquisa, os especialistas acompanharão indicadores como perda de peso, melhora da qualidade de vida, resultados de exames clínicos, evolução no período pós-operatório e os custos relacionados ao tratamento.
O estudo será financiado por meio da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com recursos provenientes da fabricante do medicamento.
Para participar da pesquisa, os pacientes deverão apresentar diagnóstico de obesidade há pelo menos um ano, além de comprovar que não obtiveram resultados satisfatórios com tratamentos convencionais, como dieta orientada e prática regular de atividade física. Também será necessário ter condições de realizar a autoaplicação da medicação ou contar com o auxílio de um cuidador.
Apesar do início do projeto, o uso da semaglutida ainda não faz parte da lista de medicamentos oferecidos pelo SUS. Em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendou que a substância não fosse incorporada ao sistema público devido ao elevado impacto financeiro. De acordo com o Ministério da Saúde, a inclusão da semaglutida e da liraglutida poderia representar um custo estimado de R$ 8 bilhões por ano para os cofres públicos.
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Com o projeto-piloto, o governo busca reunir evidências que possam orientar futuras decisões sobre a utilização da medicação no tratamento da obesidade na rede pública de saúde.