Fundação e diretor são alvo de inquérito civil que investiga pesquisas, ingresso em território indígena e possível irregularidade na coleta de informações e materiais
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar a atuação da Yanomami Foundation e de seus responsáveis em atividades realizadas na Terra Indígena Yanomami, localizada entre os estados do Amazonas e Roraima, sem as autorizações legais exigidas pelos órgãos competentes.
Além da apuração, o MPF emitiu recomendação formal para que a organização e seu diretor, David Good, se abstenham de realizar pesquisas científicas, coleta de dados, ingresso em território indígena ou qualquer atividade correlata sem autorização prévia da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), aprovação ética da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) e, nos casos que envolvam pesquisadores estrangeiros, autorização do CNPq.
Nos documentos oficiais, o MPF identifica o diretor como David Alexander Good, enquanto no site institucional da ONG ele aparece como David Ayöpew Good, nome pelo qual também se apresenta publicamente.
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A recomendação, assinada pela procuradora da República Janaína Mascarenhas, da Procuradoria da República no Amazonas, também orienta a suspensão imediata da coleta, transporte ou envio ao exterior de amostras biológicas de indígenas Yanomami, bem como proíbe a oferta de bens ou serviços como contrapartida para participação em pesquisas.
Segundo o MPF, a investigação leva em consideração dispositivos da Constituição Federal, legislações específicas sobre pesquisa com seres humanos, acesso a terras indígenas, patrimônio genético e, especialmente, o contexto de emergência em saúde pública declarado na Terra Indígena Yanomami, que impõe restrições rigorosas à concessão de autorizações de ingresso.
Em declarações públicas e publicações nas redes sociais, David Ayöpew Good afirma que suas atividades junto aos Yanomami tiveram início em comunidades localizadas na Venezuela, na região do Alto Orinoco, e que, a partir de 2020, teriam se estendido ao Brasil, em articulação com lideranças locais. Ele se apresenta como Yanomami “por sangue e família”.
Reportagem publicada pelo site El Cooperante descreve David Alexander Good como cidadão norte-americano, filho de um antropólogo dos Estados Unidos com uma indígena Yanomami venezuelana, destacando sua origem vinculada ao território da Venezuela.
Em seu site institucional, a Yanomami Foundation se define como uma organização sem fins lucrativos dedicada ao apoio ao povo Yanomami, com foco na captação de recursos e na gestão de projetos voltados à proteção do território e do modo de vida indígena. A entidade afirma atuar em parceria com lideranças e comunidades locais e informa que tem como presidente Hortensia Caballero-Arias.
O MPF concedeu prazo de 15 dias para que a ONG e seu diretor apresentem resposta fundamentada informando se irão acatar a recomendação. O órgão ressalta que, embora a medida não tenha caráter coercitivo, o eventual descumprimento pode resultar na adoção de providências judiciais ou extrajudiciais.
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Em agosto de 2025, a Yanomami Foundation divulgou em suas redes sociais imagens de uma estrutura de madeira com cobertura de palha, descrita como uma “estação de pesquisa” localizada no rio Marauiá, nas proximidades do território Yanomami. Esse material também integra a análise do inquérito, que busca esclarecer se houve atividades de pesquisa, coleta de dados ou ingresso irregular em áreas relacionadas ao território indígena sem as autorizações legais exigidas.