O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma ação civil pública para apurar responsabilidades da União, do Estado do Amazonas e do município de Manaus pela crise de oxigênio registrada durante a pandemia de Covid-19. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (14), na sede do MPF em Manaus.
De acordo com o procurador da República Igor Jordão, documentos da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) mostram que o governo federal recebeu alertas sobre a escassez de oxigênio na rede pública da capital em 28 de dezembro de 2020, semanas antes do colapso que ocorreu em 14 de janeiro de 2021.
Naquele dia, hospitais ficaram sem cilindros para atender pacientes internados, e o número de mortes em Manaus disparou em relação aos meses anteriores, reforçando a gravidade da situação. A crise coincidiu com a segunda onda da pandemia e a circulação de variantes mais transmissíveis da Covid-19, elevando a demanda por oxigênio muito acima da capacidade de produção local.
Veja também

Dados mostram que, em períodos normais, a cidade consumia em média 15 a 17 mil metros cúbicos de oxigênio por dia. No pico das internações, em 14 de janeiro, a demanda chegou a 76,5 mil metros cúbicos. As empresas fornecedoras — White Martins, Carbox e Nitron — conseguiam produzir 28,2 mil metros cúbicos diários, deixando um déficit de 48,3 mil metros cúbicos.
Com hospitais superlotados e estoques esgotados, unidades de saúde reportaram falta de oxigênio. O SPA do Alvorada chegou a fechar as portas, enquanto familiares buscavam cilindros em fornecedores privados e pacientes eram transferidos às pressas para hospitais de outros estados por meio da Força Aérea e transportes civis. Mais de 500 pacientes precisaram ser deslocados para tentar aliviar a pressão sobre a rede local.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/2/g/PjvTP3SeGM40UrxInjSA/oxigenio-manaus-02-1-.png)
Entenda o déficit de oxigênio em Manaus
(Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/G1)
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) afirmou que, desde o período mais crítico, adotou ações estruturantes para fortalecer a rede pública, como ampliação da infraestrutura hospitalar, instalação de usinas de oxigênio, descentralização de serviços e protocolos operacionais para resposta rápida a crises sanitárias.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
A ação do MPF busca apurar responsabilidades e entender como alertas prévios não impediram o colapso que deixou Manaus à beira do caos sanitário.