Empresário é acusado de agredir a ex-esposa com um taco de beisebol e ameaçá-la com uma arma de choque; órgão também solicita reforço das medidas protetivas após a soltura do investigado.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) voltou a solicitar, nesta terça-feira (27), a prisão preventiva do empresário Ivo Kos, que deixou a penitenciária na semana passada. No novo recurso, os promotores destacam relatos de que ele teria utilizado um taco de beisebol para agredir a ex-esposa, a cirurgiã-dentista Giullia Falcão, e uma arma de choque para ameaçá-la.
O órgão argumenta que a gravidade das agressões relatadas e o histórico de violência atribuído ao empresário representam riscos à segurança da vítima. O Ministério Público também afirma que a liberdade de Kos pode comprometer a produção de provas, uma vez que a mulher e as testemunhas ainda não prestaram depoimento em juízo.
Além de pedir o restabelecimento da prisão preventiva, a Promotoria solicitou o reforço das medidas de proteção, com restrições de circulação, disponibilização de um dispositivo de alerta para a vítima, apreensão dos objetos que teriam sido utilizados nas agressões e de eventuais armas, proibição de contato com testemunhas e participação do empresário em um programa de reeducação e acompanhamento psicossocial.
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POR QUE O MINISTÉRIO PÚBLICO QUER A VOLTA DE KOS À PRISÃO?
Segundo o MPSP, em abril deste ano, Giullia afirmou que não se sentia ameaçada ou constrangida pelo então marido. Essa manifestação contribuiu para a revogação de medidas protetivas em 22 de outubro.
O Ministério Público, no entanto, sustenta que a declaração anterior não elimina os riscos apontados no caso. O órgão destaca que novas agressões teriam ocorrido em agosto, episódio que resultou na prisão em flagrante do empresário.

Para os promotores Fabíola Sucasas, Mariana Pieragnoli e Pedro Alonso, o acordo de divórcio e a manifestação favorável da vítima à soltura não são suficientes para afastar a possibilidade de novas violências.
A Promotoria também ampliou a acusação para incluir o crime de tortura. As alegações ainda deverão ser analisadas pela Justiça.

Foto: Divulgação
ENTENDA O CASO
Ivo Kos foi preso em flagrante em 14 de agosto, após uma ocorrência de violência doméstica envolvendo Giullia Falcão, de 27 anos, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.
Segundo o relato prestado pela vítima à polícia, o casal havia saído para jantar com um casal de clientes do empresário. Durante o retorno para casa, os dois teriam discutido, e Kos supostamente desferiu socos contra a mulher ainda dentro do carro.
Ao chegarem à rua onde moravam, Giullia teria se recusado a entrar no imóvel. De acordo com a investigação, o empresário contou com a ajuda de um segurança para levá-la para dentro da residência, onde as agressões teriam continuado.
A vítima relatou que foi golpeada na mão com um taco de beisebol e ameaçada com uma arma de choque. Ela também afirmou que o ex-marido tomou seu celular e a ameaçou de morte caso saísse para a rua.
Câmeras de segurança registraram parte da ocorrência, incluindo o momento em que Giullia aparece fora do carro e se recusa a entrar na residência.
EMPRESÁRIO FOI SOLTO APÓS DECISÃO JUDICIAL
Kos permaneceu preso preventivamente na Penitenciária de Potim, no interior de São Paulo, entre 14 de agosto e 22 de outubro.
A soltura ocorreu após decisão judicial que levou em consideração a manifestação de Giullia de que não sentia mais medo ou ameaça, desde que as medidas protetivas fossem integralmente mantidas. O divórcio do casal foi concluído em 15 de outubro.
Na decisão divulgada na sexta-feira (23), o desembargador Heitor Donizete de Oliveira entendeu que não estavam presentes os requisitos para conceder efeito suspensivo à decisão anterior, desde que fossem preservadas as medidas cautelares e protetivas em vigor.
Após deixar a prisão, Kos publicou uma foto ao lado do filho nas redes sociais e comemorou a liberdade. Na ocasião, afirmou que estava de volta ao lado do “maior amor” de sua vida e declarou ter tido a vida “sequestrada injustamente”.
DEFESA CONTESTA PEDIDO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Em nota, a defesa de Ivo Kos classificou o recurso do Ministério Público como “desprovido de razão”. Os advogados argumentam que a decisão que concedeu a liberdade foi fundamentada na manifestação da própria vítima e que a prisão preventiva não deve ser utilizada como forma de punição antecipada.
A defesa também afirmou que o ex-casal chegou a um acordo de divórcio e que as medidas protetivas impostas pela Justiça estão sendo cumpridas.
Segundo os advogados, o novo pedido da Promotoria representaria uma tentativa de antecipar uma punição sem que sejam assegurados o devido processo legal, o contraditório e o direito de defesa.
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O Ministério Público, por sua vez, sustenta que a prisão preventiva é necessária para proteger a vítima e preservar a investigação. Caberá à Justiça analisar os argumentos apresentados pelas partes e decidir sobre o pedido de retorno do empresário à prisão.