O ministro da Fazenda, Dario Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a economia brasileira continua avançando na direção correta, apesar dos desafios enfrentados pelo país e do cenário internacional de instabilidade provocado pela guerra no Oriente Médio. A declaração foi feita durante entrevista ao UOL News.
Durigan reconheceu que a percepção da população nem sempre acompanha os indicadores econômicos positivos apresentados pelo governo, principalmente devido à inflação e aos juros elevados que ainda afetam o orçamento das famílias brasileiras.
“Claro que eu não acho que está tudo bem para a população. E a nossa sensibilidade com a população é muito grande”, afirmou o ministro.
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Segundo ele, o fortalecimento da economia permite ao governo implementar medidas destinadas a reduzir os impactos das crises internacionais sobre os brasileiros. Como exemplo, citou os programas de subsídio aos combustíveis e o Desenrola Brasil, criado para ajudar pessoas endividadas a regularizarem sua situação financeira.
De acordo com Durigan, cerca de seis milhões de famílias já foram beneficiadas pelo Desenrola, sendo que quatro milhões conseguiram limpar seus nomes e voltar a ter acesso ao crédito.
O ministro também destacou que os efeitos da guerra no Oriente Médio têm pressionado os preços da energia e dos combustíveis em diversos países. Apesar disso, afirmou que o impacto no Brasil permanece menor do que em outras nações.
“Tem país no mundo falando em racionamento de combustível. Basta olhar para a Coreia do Sul e para a Índia”, declarou.
Durante a entrevista, Durigan rejeitou a tese de que os juros elevados no Brasil sejam consequência direta da situação fiscal do país. Ele afirmou que o governo não pretende alterar as regras fiscais vigentes, mesmo diante dos reflexos econômicos provocados pelo conflito no Golfo Pérsico.
O ministro também alertou para a necessidade de responsabilidade fiscal por parte do Congresso Nacional, defendendo que projetos com elevado impacto nas contas públicas sejam analisados com cautela. Como exemplo, mencionou a chamada PEC dos Templos Religiosos, que, segundo ele, poderia aumentar a carga tributária sobre a população.
Outro tema abordado foi o mercado de apostas esportivas. Durigan afirmou ser contrário à proibição das chamadas “bets”, argumentando que a medida poderia estimular o crescimento de plataformas clandestinas.
Em contrapartida, defendeu uma regulamentação rigorosa para o setor, comparando a atividade à indústria do cigarro devido aos riscos sociais e financeiros associados ao jogo.
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Questionado sobre a arrecadação gerada pelas empresas de apostas, o ministro ressaltou que os recursos obtidos pelo governo são resultado justamente da regulamentação da atividade, considerada essencial para garantir fiscalização e controle do mercado.