O jornalista Mino Carta, fundador e diretor de redação da CartaCapital, morreu nesta terça-feira, 2, em São Paulo (SP), aos 91 anos. Ele estava internado havia duas semanas na UTI do Hospital Sírio-Libanês.
A morte foi confirmada pelo portal da revista, na madrugada desta terça.De acordo com a Carta Capital, o óbito ocorre após um ano de complicações de saúde que o levaram a várias internações.
Nascido em Gênova, na Itália, Mino veio para São Paulo ainda jovem, acompanhando a família que deixou a Itália após a Segunda Guerra Mundial. Após a mudança para o Brasil, começou a escrever, aos 16 anos, o que abriu caminho para a carreira jornalística que faria dele um dos nomes mais influentes na imprensa brasileira.
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Com uma trajetória marcada pela criação e direção de algumas das publicações mais emblemáticas do país, fundou as revistas Quatro Rodas, Veja, IstoÉ e, em 1994, a CartaCapital. Também esteve à frente da equipe que lançou o Jornal da Tarde, em 1966.
Durante a ditadura militar, Mino enfrentou pressões e censura. Em 1968, a Veja sob sua direção publicou capas e reportagens que irritaram os militares, incluindo a denúncia de 150 casos de tortura. A edição foi apreendida, mas provocou impacto no debate público.
O jornalista também foi interrogado por agentes do regime, incluindo o delegado Sérgio Fleury, e manteve relação próxima com o general Golbery do Couto e Silva, que era contra a censura. Mesmo assim, deixou a revista após recusar imposições dos militares, renunciando a indenizações trabalhistas.
Após esse período, decidiu criar seus próprios espaços de trabalho. A CartaCapital nasceu em 1994, fruto da colaboração de amigos e familiares, e se consolidou como uma revista crítica. A publicação completou 31 anos, com reportagens emblemáticas sobre casos de corrupção, abusos de poder e disputas políticas.
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Além da atuação em redações, Mino também foi autor de romances como Castelo de Âmbar, de 2000, A Sombra do Silêncio, de 2003, e A Vida de Mat, de 2016. Também recebeu o título de doutor honoris causa, pela Faculdade Cásper Líbero, e o prêmio de Jornalista Brasileiro de Maior Destaque no Ano, da Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE).
Fonte:Terra