Missão deve marcar o retorno de astronautas além da órbita terrestre, mas enfrenta custos altos, atrasos e concorrência de foguetes privados.
A missão Artemis 2, que pretende levar astronautas novamente além da órbita da Terra após mais de meio século, nasce de uma arquitetura baseada em projetos antigos e tecnologias que remontam à era dos ônibus espaciais. A estratégia atual foi definida em 2011, reaproveitando partes do antigo programa Constellation, criado em 2005 durante o governo George W. Bush para retomar as viagens à Lua.
O Constellation surgiu após o acidente do ônibus espacial Columbia, que levou a Nasa a repensar sua estratégia de voos tripulados. O plano previa dois foguetes, uma cápsula e um módulo lunar. Embora o programa tenha sido cancelado por falta de recursos durante o governo Obama, o Congresso decidiu resgatar elementos considerados essenciais, dando origem ao atual Sistema de Lançamento Espacial (SLS) e à cápsula Orion.
A Artemis 2 será a primeira missão tripulada do século a viajar além da órbita terrestre. A tripulação — formada por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen fará uma jornada de cerca de dez dias ao redor da Lua. O voo também marca avanços em diversidade, incluindo a primeira mulher, o primeiro astronauta negro e um canadense em uma missão lunar.
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O foguete SLS, peça central da missão, simboliza tanto a ambição quanto os desafios do programa. Desenvolvido com tecnologia derivada dos ônibus espaciais dos anos 1970, o veículo consumiu mais de US$ 30 bilhões em desenvolvimento e custa cerca de US$ 2,5 bilhões por lançamento. Apesar de ser o foguete mais poderoso em operação, o SLS sofre críticas por sua complexidade, ritmo lento de voos e custos elevados.

O foguete Space Launch System (SLS) com a cápsula tripulada
Orion, decola do complexo de lançamento 39-B na missão
não tripulada Artemis 1, em Cabo Canaveral,
Flórida, EUA - (JOE SKIPPER/REUTERS)
A primeira missão do foguete, a Artemis 1, ocorreu em 2022 sem tripulação, após sucessivos adiamentos causados por vazamentos de combustível e problemas técnicos. Situação semelhante voltou a ocorrer durante testes recentes do SLS da Artemis 2, levando a Nasa a adiar a previsão de lançamento enquanto tenta resolver as falhas.

Foto: Reprodução
Enquanto isso, empresas privadas avançam rapidamente com foguetes potencialmente mais baratos e frequentes, como o Starship, da SpaceX, e o New Glenn, da Blue Origin. O cenário levanta dúvidas sobre quanto tempo o SLS continuará sendo o principal veículo das missões lunares da agência.

Foto: Reprodução
Já a cápsula Orion, desenvolvida pela Lockheed Martin com apoio da Agência Espacial Europeia, é vista como um dos pontos mais promissores do programa. Reutilizável e adaptável a outros foguetes, a nave pode permanecer relevante mesmo com mudanças na estratégia de lançamento. Ainda assim, a cápsula passou por análises após desgaste inesperado do escudo térmico durante a missão Artemis 1. A Nasa afirma que a Artemis 2 poderá voar com o mesmo sistema, adotando uma nova trajetória de reentrada para aumentar a segurança.
O objetivo final do programa é realizar a primeira alunissagem tripulada do século 21, prevista atualmente para a missão Artemis 3. No entanto, atrasos no desenvolvimento do módulo de pouso, dos trajes espaciais e do próprio SLS indicam que a meta de retorno à superfície lunar pode ficar para o fim da década.
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Com a China planejando levar astronautas à Lua até 2030, a corrida espacial ganha novos contornos. O sucesso da Artemis 2 será decisivo para determinar se os Estados Unidos conseguirão retomar a liderança na exploração humana do satélite natural.