Descoberta ajuda a entender do que o núcleo da Terra é feito, como ele começou a resfriar e como moldou nosso planeta de dentro para fora
O núcleo rico em ferro é essencial para o nosso planeta. Ele não só alimenta o campo magnético que protege a atmosfera, superfície e oceanos da radiação solar, como também influencia a tectônica de placas, processo que remodela continuamente os continentes.
Apesar de sua importância, muitas das propriedades fundamentais do núcleo da Terra são desconhecidas até hoje. Não sabemos exatamente qual é sua temperatura, de que é feito ou quando começou a se solidificar. Mistérios que podem ser revelados a partir de um novo trabalho.
Tradicionalmente, existem duas maneiras de descobrir de que o núcleo é feito: meteoritos e sismologia. Ao examinar a química dos meteoritos podemos ter uma ideia do que nosso núcleo pode ser composto. O problema é que isso nos dá apenas uma ideia aproximada. Essa análise revela que o núcleo deve ser feito de ferro e níquel, e talvez silício ou enxofre, mas é difícil saber os detalhes desta composição.
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A sismologia, por outro lado, é muito mais específica. Quando as ondas sonoras dos terremotos viajam pelo planeta, elas aceleram e desaceleram dependendo dos materiais pelos quais passam. Comparando o tempo de viagem dessas ondas, do terremoto ao sismômetro, com a velocidade com que as ondas viajam através de minerais e metais identificada em experimentos, podemos ter uma ideia do que compõe o interior da Terra.

Foto: Reprodução
Pesquisas que simulam como os átomos em metais líquidos se unem para formar sólidos descobriram que algumas ligas requerem um “super-resfriamento” mais intenso do que outras. Ao explorar todas as temperaturas de fusão possíveis do núcleo, cientistas descobriram que o máximo de super-resfriamento que o núcleo poderia ter sofrido é de cerca de 420°C abaixo da temperatura de fusão. Mas o ferro puro requer um resfriamento de pelo menos 1000°C, o que teria deixado o núcleo sólido. Adicionar silício e enxofre apenas exigiria ainda mais super-resfriamento.
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A nova pesquisa, no entanto, explorou o efeito da presença de carbono no núcleo. Se 2,4% da massa do núcleo fosse carbono, seria necessário um super-resfriamento de cerca de 420°C para começar a solidificar o núcleo interno. Esta é a primeira vez que se demonstra que a solidificação do núcleo é possível.
Fonte: Olhar Digital