*Por Antônio Zacarias - O que foi feito com o cachorro Orelha — e a tentativa de assassinato do cão Caramelo — não é “brincadeira de adolescentes”, não é “excesso juvenil”, não é “falta de orientação”. É crueldade. É barbárie. É o retrato mais repugnante de uma violência covarde praticada contra quem não pode se defender.
Matar um animal comunitário, conhecido, cuidado pela vizinhança, e ainda tentar afogar outro cão nas águas do mar, revela algo que vai muito além de imaturidade. Revela desprezo absoluto pela vida, ausência de empatia e um nível de brutalidade que assusta qualquer sociedade minimamente civilizada. Quem é capaz de fazer isso com um animal indefeso não pode ser tratado com complacência moral, nem com discursos açucarados sobre “erro da juventude”.
A sobrevivência de Caramelo não diminui a gravidade do crime — apenas escancara o horror da intenção. Houve tentativa. Houve dolo. Houve prazer na violência. Isso precisa ser dito sem rodeios.
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É sintomático que o próprio delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina tenha adotado Caramelo. Um gesto humano, necessário, que contrasta com a frieza dos atos praticados. Enquanto um representante do Estado estende a mão para proteger a vida, outros tentaram arrancá-la com crueldade.
Quem maltrata animal não comete travessura. Comete crime. E quem tenta relativizar esse tipo de conduta presta um desserviço à sociedade, alimentando a ideia de que a violência pode ser tolerada quando o alvo é mais fraco.
O caso Orelha não pode terminar em notas protocolares, advertências vazias ou silêncio cúmplice. Precisa resultar em responsabilização, em exemplo, em um recado claro: crueldade não será naturalizada, nem escondida atrás da idade de quem a pratica.
Porque proteger animais não é pauta “menor”. É termômetro de civilização. E o que esses adolescentes fizeram é a prova nua e crua de que, quando a violência começa nos animais, ela nunca para neles.
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*Antônio Zacarias é fundador e proprietário do PORTAL DO ZACARIAS, atualmente no top 10 dos portais de notícias mais acessados do Brasil. Jornalista experiente, foi editor-geral de diversos jornais da Região Norte, com atuação destacada no Amazonas, onde dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério. Durante dois anos, atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte, a convite de Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral de O Globo. Antônio Zacarias é também autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra voltada à valorização do bom uso da língua portuguesa.