O cinema mundial perdeu um de seus maiores observadores da realidade. Morreu, aos 96 anos, o documentarista americano Frederick Wiseman. A informação foi confirmada por familiares.
Reconhecido como um verdadeiro “anatomista das instituições humanas”, Wiseman construiu uma carreira monumental com mais de 40 documentários, nos quais revelou os bastidores de universidades, hospitais, tribunais, museus, prefeituras, zoológicos, restaurantes e até da indústria da moda. Sua obra mostrou, com rigor e paciência, que a vida real é muito mais complexa do que qualquer ficção.
Nascido em Boston, em 1930, Wiseman formou-se em Direito e foi professor da Universidade de Boston nas décadas de 1950 e 1960. Estreou no cinema com Titicut Follies (1967), filme que expôs as condições desumanas de um hospital psiquiátrico criminal. A obra foi banida por décadas nos Estados Unidos devido ao impacto de suas imagens.
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A partir daí, consolidou-se como um dos principais nomes do chamado cinema direto. Seus documentários dispensavam narração em off e trilha sonora, apostando apenas na força da observação. Com a câmera imersa nos ambientes de trabalho, Wiseman revelava os conflitos humanos e a engrenagem burocrática por trás das instituições.
Mesmo em idade avançada, manteve-se extremamente ativo. Após os 80 anos, lançou alguns de seus títulos mais celebrados, como National Gallery, At Berkeley, In Jackson Heights, Ex Libris: The New York Public Library e Monrovia, Indiana.
Seus filmes frequentemente ultrapassavam três ou quatro horas de duração, desafiando o público, mas oferecendo retratos profundos do cotidiano e das relações de poder.
Em 2017, Wiseman recebeu o Oscar Honorário pelo conjunto da obra, coroando uma trajetória marcada pela consistência artística e pelo compromisso com a realidade.
Seu trabalho mais recente, Menus-Plaisirs – Les Troisgros, lançado em 2023, acompanha a tradição gastronômica francesa e a transição de liderança do chef Michel Troisgros para o filho César.
No Brasil, seus filmes costumam circular por festivais. Em 2001, o É Tudo Verdade realizou uma retrospectiva inédita dedicada à sua obra. Em entrevista ao site IndieWire, em 2017, Wiseman resumiu sua proposta artística:
“Eu quis selecionar sistematicamente instituições importantes para o funcionamento da sociedade americana. Toda sociedade tem escolas, hospitais, prisões, alguma forma de assistência social e de artes. Era uma maneira de olhar para a vida contemporânea através desses espaços.”
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Frederick Wiseman deixa um legado incomparável para o documentário mundial, com uma filmografia que escancarou estruturas de poder, rotinas invisíveis e dramas humanos com sobriedade, precisão e profundidade. Se quiser, posso adaptar o texto ainda mais para o tom típico do Portal do Zacarias (mais direto, manchete forte ou estilo policial/cultural misto).