A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), desencadeou uma crise de segurança sem precedentes no México, resultando em pelo menos 57 mortes nas últimas 24 horas.
Segundo o secretário de Segurança do país, Omar García Harfuch, a retaliação do grupo criminoso atingiu diretamente forças do Estado. Entre as vítimas estão 25 integrantes da Guarda Nacional, um guarda penitenciário e um funcionário da Procuradoria-Geral mexicana. Outros 30 mortos seriam membros do próprio cartel.
“El Mencho” morreu no domingo (22) durante uma operação de inteligência no Estado de Jalisco. De acordo com o Exército mexicano, tropas foram recebidas a tiros enquanto o traficante era escoltado por comparsas até um avião particular, onde seria levado para tratamento de saúde por conta de problemas renais crônicos.
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O secretário da Defesa, Ricardo Trevilla, revelou que o cerco final só foi possível graças a informações fornecidas por uma parceira do líder. Segundo a Reuters, uma força-tarefa ligada ao governo dos Estados Unidos teria participado das buscas por “El Mencho”. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, nega envolvimento norte-americano na operação.
A queda do chefe do CJNG é considerada o maior golpe contra o narcotráfico desde a prisão de Joaquín Guzmán, o “El Chapo”. Atualmente, o CJNG é apontado como o principal fornecedor de fentanil e metanfetamina para os EUA, superando até o Cartel de Sinaloa em expansão territorial.
Autoridades temem agora uma guerra interna de sucessão, com possíveis confrontos entre células do cartel nos Estados de Michoacán, Guanajuato e Tamaulipas.
Conhecido por sua estrutura paramilitar, o CJNG utiliza drones com explosivos e veículos blindados artesanais, chamados de “monstros”. Após a morte do líder, criminosos incendiaram ônibus e caminhões para bloquear rodovias em Jalisco. O aeroporto de Guadalajara chegou a suspender operações temporariamente devido a tiroteios nos arredores, enquanto embaixadas dos EUA e Canadá emitiram alertas máximos para seus cidadãos. O governo mexicano ativou o chamado “código vermelho”, mobilizando reforços do Exército e da Marinha para patrulhar áreas urbanas.
QUEM ERA “EL MENCHO”
Foto:Reprodução
Nascido em 17 de julho de 1966, no Estado de Michoacán, Nemesio Oseguera Cervantes teve origem humilde e trabalhou na agricultura antes de migrar ilegalmente para os Estados Unidos nos anos 1980.
Na década de 1990, envolveu-se com o tráfico de drogas e chegou a ser condenado por heroína em tribunal norte-americano. Após cumprir pena, foi deportado ao México, onde chegou a integrar a polícia municipal de Jalisco antes de retornar definitivamente ao crime organizado.
Depois da fragmentação do Cartel del Milenio, ajudou a fundar o CJNG por volta de 2009–2010. Sob seu comando, a organização se transformou em uma das mais poderosas e violentas do país, com atuação internacional e movimentação de bilhões de dólares.
“El Mencho” figurava entre os criminosos mais procurados do México e dos Estados Unidos. O Departamento de Justiça americano chegou a oferecer recompensa de até US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura.
Em 2025, o governo do então presidente Donald Trump classificou formalmente o CJNG como organização terrorista estrangeira, ampliando sanções contra o grupo. Após a extradição de “El Chapo”, em 2017, Oseguera passou a ser considerado o narcotraficante mais procurado do México.
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