Também houve homenagem a uma fotógrafa palestina que morreu em Gaza, tema de um documentário
A mostra competitiva do Festival de Cannes prossegue nesta quinta-feira (15) com a exibição de "Sirat", do espanhol Oliver Laxe, e "Dossier 137", do francês Dominik Moll, em um dia que também será marcado pela homenagem a uma fotógrafa palestina que morreu em Gaza, tema de um documentário.
"Sirat" relata a viagem de um pai (Sergi López) e seu filho ao Marrocos para buscar sua filha e irmã, desaparecida em uma festa de música eletrônica no deserto. Laxe, 43 anos, disputa a Palma de Ouro pela primeira vez.
O outro filme em competição da quinta-feira é o thriller policial "Dossier 137". Em um gesto inédito, a organização do festival proibiu o acesso à estreia de um ator coadjuvante do longa-metragem, acusado de agressões sexuais.
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No total, 22 filmes aspiram ao prêmio máximo de Cannes, incluindo o brasileiro "O agente secreto", de Kleber Mendonça Filho.O terceiro dia do festival também será marcado pela homenagem à fotojornalista palestina Fatima Hassouna, que morreu aos 25 anos em um bombardeio israelense em Gaza no dia 16 de abril. Hassouna é a protagonista do documentário "Put Your Soul on Your Hand and Walk", da cineasta iraniana Sepideh Farsi, que será exibido na mostra paralela ACID.
Um dia antes de sua morte, a fotógrafa recebeu a notícia de que o filme havia sido selecionado para Cannes. Até o fim, Farsi, 60 anos, acreditou que a jovem "viajaria, que a guerra iria terminar", explicou à AFP em uma entrevista. "Nos enganamos ao acreditar, a realidade nos superou", completou.
O documentário mostra as conversas por vídeo entre a diretora, refugiada em Paris, e a fotojornalista, em sua casa em Gaza. Sua morte, e a de toda sua família, com exceção de sua mãe, no bombardeio israelense comoveu o mundo do cinema.
No dia de abertura do festival, mais de 380 nomes de destaque do cinema, incluindo Pedro Almodóvar, Susan Sarandon e Richard Gere, assinaram um texto de denúncia para não "permanecer em silêncio enquanto acontece um genocídio em Gaza".
Na cerimônia de abertura, a presidente do júri, a francesa Juliette Binoche, homenageou a jovem fotógrafa que "deveria estar aqui entre nós", ao mesmo tempo em que recordou "os reféns de 7 de outubro e todos os reféns, os prisioneiros".
Em 7 de outubro de 2023, milicianos islamistas mataram 1.218 pessoas em Israel, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais. Também sequestraram 251 pessoas, das quais 57 continuam detidas em Gaza, incluindo 34 que o Exército israelense declarou mortas.
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A ofensiva israelense em represália matou quase 53.000 pessoas em Gaza, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do território palestino.
Fonte: O Globo