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16/12/2019

MP de Goiás espera ainda para este ano sentença contra João de Deus

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Foto: Reprodução

Um ano depois de deflagrado o escândalo envolvendo centenas de denúncias de abusos sexuais praticados pelo médium contra mulheres que buscavam cura para aflições físicas e emocionais, Abadiânia ainda enfrenta vazio e empobrecimento

Na madrugada de 8 de dezembro de 2018, quatro mulheres disseram, no programa Conversa com Bial, terem sido abusadas por João Teixeira de Faria, ou João de Deus, o famoso médium de Abadiânia, ou John of God, para incontáveis seguidores do curandeiro espiritual em vários países.

 

As denúncias transmitidas no programa da TV Globo abriram o caminho para uma enxurrada de relatos de abuso sexual contra vulneráveis, que chegaram a 319, segundo o Ministério Público de Goiás.

 

Um ano depois do acontecimento, ao qual alguns moradores de Abadiânia se referiram como “um apocalipse”, a pequena cidade de 18 mil habitantes, onde ainda funciona a Casa de Dom Inácio, local em que o médium atendia os fiéis, tenta se recuperar da repentina decadência.

 

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A presença do médium na cidade por mais de 40 anos estimulou uma crescente economia informal, que gerou benefícios financeiros para muita gente, em números que a prefeitura não sabe precisar. Hoje, a ausência de João de Deus — que há um ano cumpre prisão preventiva no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia — é, também, uma forte presença. Isso é constatado em ruas vazias no entorno da Casa de Dom Inácio, na queda no faturamento do comércio local e em relatos de tristeza e casos de depressão entre as pessoas que gravitavam em torno da casa.


Até o fim do ano passado, o estabelecimento chegava a receber mais de duas mil pessoas em dias de atendimento. Hoje, o quarteirão onde está localizada a casa lembra uma cidade-fantasma. Até chegar ao fim da rua Frontal, onde, em 1976, foi instalada a Casa de Dom Inácio, passa-se por diversas pousadas fechadas e estabelecimentos com placas de vende-se ou aluga-se.

 

Sem esperança, Marcos Rocha, de 50 anos, colocou à venda o ponto onde comercializa pedras e cristais. Ele veio de Cristalina (GO) e conta que, na Casa, foi curado de várias doenças. Por isso, há 10 anos decidiu se estabelecer na cidade. “Isso aqui era uma mina de ouro. Hoje, os negócios não correspondem a 1% do que eram. A sensação é de que aconteceu um apocalipse. Eu demiti todos os cinco funcionários. Agora, só penso em vender a loja e ir embora. Aqui não tem mais nada”, lamenta.
 

Empregos

 

 

Em dezembro de 2018, o prefeito José Aparecido Alves Diniz (PSD) disse que a Casa de Dom Inácio tinha 40 funcionários, mas as atividades espirituais geravam cerca de 200 empregos diretos e 1.200 indiretos. Atualmente, a prefeitura calcula entre 1.500 e 2.000 o número de desempregados.

 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 72% das receitas de Abadiânia são verbas de transferências estaduais e federais, mas a prefeitura atribui à debacle da Casa de Dom Inácio a queda de 20% na arrecadação do IPTU e do ITBI (Imposto de Transmissão de Bens e Imóveis).

 

Em abril, quando a administração municipal encerrou o prazo para a renovação anual dos alvarás, apenas cinco dos 63 estabelecimentos comerciais, entre lojas, bares e, principalmente, pousadas nos arredores da Casa de Dom Inácio, atualizaram a licença e oito deram baixa. Os demais parecem simplesmente terem fechado as portas sem saber o que fazer.

 

Abadiânia é cortada pela BR 060. Na margem direita, para quem chega de Brasília, que está a 117km, fica a Casa de Dom Inácio, onde tudo girava em torno do estabelecimento. Do outro lado da BR, onde está a prefeitura, fica a maior parte da cidade. Lá, os ganhos econômicos foram mais indiretos, segundo contam moradores e comerciantes, que não frequentavam a Casa, mas se beneficiaram do vigor econômico desencadeado pelos trabalhos do médium. Funcionários de mercados, açougues, postos de gasolinas e outros estabelecimentos relatam que o movimento caiu pela metade da noite para o dia depois do escândalo.

 

 

Há 10 anos, Leandro Dias de Carvalho, 40, deixou Goiânia para se instalar em Abadiânia e seguir a religião do Santo Daime. Na cidade, conheceu a esposa, com quem tem dois filhos pequenos. “Eu tinha uma loja na entrada (da cidade) e minha mulher, essa aqui (na rua da Casa). Tive que fechar a loja de cima, pois não conseguia pagar o aluguel. Todo mundo aqui perdeu muito. Muita gente foi embora. Eu tive que demitir três funcionários”, lamenta.

 

Um mês antes das denúncias, a pousada de Renascer foi reinaugurada sob nova administração. Jéssica Fernanda Alves Dias, 21, a mãe e o irmão foram contratados para trabalhar ali. O pai e o marido, ou seja, toda a família, como não era raro em Abadiânia, também tinham trabalhos relacionado às atividades da Casa de Dom Inácio. “Não íamos conseguir pagar o aluguel de onde morávamos”, conta.

 

O dono da pousada foi embora para Curitiba e ofereceu o local como moradia para a família em troca da manutenção do ambiente. Recentemente, marido e irmão conseguiram trabalho numa cervejaria. “A gente não pensa em ir embora, pois gostamos de Abadiânia, mas é muito ruim de emprego. Se não pudéssemos ficar na pousada, ia ser muito mais difícil”, diz Jéssica.

 

“Não me meto”

 

O clima de mistério que envolve a cidade, antes devido às famosas curas espirituais, agora se estende ao que pensam os moradores de Abadiânia sobre os crimes atribuídos a João de Deus. As respostas são quase padronizadas. De um modo geral, as pessoas dizem: “Não me meto nisso”, ou respondem: “Prefiro não julgar”.

 

Simpáticos e cordiais, os moradores mudam o semblante quando o assunto é João de Deus e fazem questão de ressaltar que os visitantes da Casa de Dom Inácio eram de fora. Quase ninguém da cidade frequentava o local, apenas aqueles que se empregavam ali, principalmente mulheres, que trabalhavam na limpeza e como cozinheiras, como contou uma delas, que esperava atendimento no açougue que o Correio visitou. “Não escreve meu nome, não”, pediu, de olhos arregalados.

 

É comum moradores pedirem para não serem identificados, principalmente os mais afetados. Um dos negócios mais atingidos foi o de transporte de turistas. Um motorista, que também pediu anonimato, relata que havia mais de 100 carros transportando visitantes, pois, sem conseguir atender à demanda, os taxistas compravam outros carros e contratavam motoristas. Ele disse que todos venderam os carros extras.

 

 

A terapeuta holística Estella Maris, 61 anos, costumava levar turistas de São Paulo para serem atendidos pelo médium. Ela organizava a etapa aérea e terrestre dos visitantes. No início do negócio, há cinco anos, fazia o trajeto todo mês, mas, com o aumento da demanda, passou a fazer as excursões a cada 15 dias.

 

“Em média, eu levava 20 pessoas, mas já cheguei a levar 30. Foi um baque financeiro e emocional. Estava vivendo disso”, afirma Estella, que planeja voltar a trabalhar como terapeuta. Segundo ela, eram muitas as pessoas que organizavam excursões. “A cidade recebia dezenas de ônibus e vans, e os organizadores eram indicados “pela entidade que João de Deus incorporava”, explica.

 

Planos

 

A prefeitura aposta no potencial turístico do Lago Corumbá IV, com entrada privilegiada por Abadiânia, para reacender o dinamismo da cidade. De acordo com a administração municipal, há aproximadamente cinco mil casas no entorno do lago, além de vários condomínios, que precisam de regularização para garantir espaço público, portanto, acesso ao lago para os visitantes.

 

Faz parte do plano construir uma estrada de acesso ao lago, onde seria instalada infraestrutura adequada para a prática de esportes náuticos. No entanto, não há projeto pronto nem prazo para concluir a regularização dos imóveis e condomínios.

 

De concreto, por enquanto, há a instalação de uma fábrica de salgados e outra de processamento de feijão, previstas para março de 2020, que devem gerar cerca de 200 empregos. A prefeitura negocia com outras três fábricas. Este ano, as novidades foram um novo supermercado e a expansão de outros dois, que não foram suficientes para ativar a economia.

 

“Cidade muito triste”


Sandra Jacinto, 63 anos, era dona da pousada Santa Helena, vizinha da casa Dom Inácio. Foi o sogro dela, Domani José Jacinto, que presenteou João de Deus com o terreno onde foi construída a casa dos atendimentos nos anos 1970, conforme conta. Com 19 quartos, antes bastante concorridos, a pousada agora é a moradia de Sandra. “A cidade ficou muito triste. Muita gente teve depressão. Vou vivendo o dia a dia. A gente aprende a viver com menos”, diz.

 

Frequentador assíduo


Há 17 anos, o chileno Erick Richard Munhoz, 54, viu seu negócio ligado à mineração ruir depois de uma forte desvalorização do cobre. Deprimido, acabou em Abadiânia, onde já morava o irmão. Ele é um dos oito funcionários da Pousada São Rafael, a maior da cidade, com 105 quartos, que antes tinha 25 empregados. “O dono da pousada é grego e atualmente mora em Portugal. Por enquanto, ele não tem planos de vender a pousada”, conta Munhoz, que diz separar o homem João de Deus da espiritualidade da Casa D.Inácio, que ainda frequenta.


Linha do tempo

 

1976
fundação da Casa Dom Inácio de Loyola

 

2013
entrevista do médium é apresentada no The Oprah Winfrey Show. As visitas de estrangeiros explodem. João de Deus vira atração internacional

 

7/12/18
Quatro mulheres relatam ter sofrido abuso sexual pelo médium no programa Conversa com Bial da TV Globo

 

12/12/18
João de Deus atende fiéis na casa D. Inácio pela última vez

 

14/12/18
Justiça decreta prisão preventiva do médim

 

16/12/18
João de Deus se entrega à Polícia Civil de Goiás e é preso no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia

 

19/12/18
Polícia Civil apreende mala com mais de R$ 400 mil em moedas nacionais e estrangeiras e seis armas de fogo na casa do médium em Anápolis e documentos na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia

 

28/12/18
MP de Goiás apresenta a primeira denúncia contra João de Deus por abuso sexual de vulneráveis

 

09/01/19
Justiça de Goiás determina o bloqueio de R$ 50 milhões em bens e dinheiro do médium

 

22/03/19
João de Deus deixa a prisão para ser internado em um hospital de Goiânia

 

23/03/19
MP-GO apresenta denúncia de crime por falsidade ideológica e inicia investigação por rede de proteção a João de Deus

 

06/06/19
Após decisão do STJ, o médium deixa o Instituto Neurológico de Goiânia e volta ao Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia

 

02/11/19
MP-GO oferece a 11º denúncia por abuso sexual

 

07/11/19
João de Deus é condenado a quatro anos de prisão em regime aberto pelo porte ilegal de arma de fogo

 

Esvaziada, Casa mantém atividades

 

 

Orações, banhos de cristal (luzes de cromoterapia), visita à cachoeira da Casa de Dom Inácio, farmácia, venda de “água abençoada pelas entidades”, pedras e cristais, suvenires e livros. Os mesmos serviços continuam sendo oferecidos no local, inclusive as famosas cirurgias espirituais que, até o ano passado, eram praticadas pelo médium que hoje aguarda sentença em prisão preventiva. Os voluntários da casa explicam que, agora, tudo é feito diretamente pelas entidades.

 

Há um ano, a Casa Dom Inácio de Loyola, ou Casa de Dom Inácio, como é conhecida, chegava a receber dois mil visitantes por dia e até três mil, em dias de pico, segundo os voluntários do local, que antes somavam 70 pessoas, entre brasileiros e estrangeiros, e hoje são 20.

 

A Casa é mantida com a venda dos produtos e de doações, mas os voluntários não souberam dizer o tamanho do impacto financeiro com o esvaziamento do estabelecimento. Pelo site, o Correio solicitou entrevista ao atual administrador, Hamilton Pereira, que foi prefeito de Abadiânia na época em que João de Deus montou o estabelecimento, em meados dos anos 1970, mas o pedido não foi respondido. Ele costumava ser o diretor financeiro, porém passou a responder pelo local desde que Chico Lobo, o gerente e ex-prefeito de Abadiânia, morreu em julho, depois de contrair uma bactéria, segundo moradores.

 

Alguns habitantes da cidade atribuem a morte do antigo gerente ao abatimento que o acometeu depois do escândalo e da prisão do amigo. Eles contam que Chico Lobo era o proprietário da principal loja de venda de roupas brancas da rua onde fica a Casa de Dom Inácio. O uso de roupas brancas é indicado aos frequentadores da Casa.

 

Pílulas de passiflora

 

Assim como antes da prisão do médium, o local oferece os serviços de curas espirituais às 8h e às 14h. Os visitantes se organizam em diferentes filas: para quem foi pela primeira vez, para quem está em uma consulta retorno e para frequentadores da Casa.

 

Quando João de Deus atendida, sentado em uma cadeira, os pacientes eram organizados em fila indiana. Ao fim de uma primeira conversa, que durava minutos, às vezes, segundos, ele rabiscava em um papel uma espécie de visto a praticamente todos. O papel era trocado na farmácia por um ou dois potes de pílulas de passiflora, produzidas no laboratório da Casa, que custam R$ 50 cada. Hoje, o produto é comprado livremente por quem desejar, sem a intermediação do médium.

 

Com visitantes numerosos, não é difícil calcular que a Casa chegava a arrecadar, pelo menos, R$ 100 mil por dia de atendimentos, que ocorriam, e ainda ocorrem, de quarta a sexta-feira. Os banhos de cristal são oferecidos a R$ 20. O visitante deita em uma maca, em cabines individuais, e recebe raios de luzes de diferentes cores por 20 minutos. As consultas são, e eram na época de João de Deus, gratuitas.

 

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Desde o início das denúncias de abusos sexuais praticados pelo médium, o público da Casa é majoritariamente estrangeiro. Para moradores, os brasileiros que frequentavam o local, mesmo aqueles que ainda se sentem conectados à Casa, se sentem envergonhados. Na última quarta-feira, quando o Correio esteve lá, havia cerca de 20 pessoas.

 

Antes da prisão do médium, os estrangeiros já eram maioria e passaram a ser cada vez mais numerosos, principalmente depois da entrevista veiculada pela apresentadora americana Oprah Winfrey em seu programa, em 2013.

 

Ao serem questionados sobre se a manutenção da Casa indica a crença de que João de Deus voltará, os voluntários respondem que se trata de um ambiente ecumênico de cura, que funciona como uma igreja que, quando o padre se vai, outro é designado. Alguns moradores do entorno divulgam a ideia de que, em breve, um novo médium vai liderar as curas, mas João de Deus, nunca mais.

 

Sentença até o fim do ano

 

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) espera, ainda para este ano, sentença contra duas das 11 denúncias que apresentou à Justiça do estado de Goiás contra João de Deus por abuso sexual de vulneráveis.

 

“Dois processos já estão adiantados. Já foram apresentadas as alegações finais, e o próximo passo é proferir a sentença, o que deve ocorrer rápido, porque João de Deus está em prisão preventiva, para evitar obstruir as investigações e ameaçar testemunhas. A sentença deve sair ainda este ano”, diz a promotora Ariane Patrícia Gonçalves, membro da força-tarefa que cuida do caso, que inclui mais seis promotores.

 

Essas duas denúncias envolvem 144 mulheres, inclusive uma menina de 12 anos e outra de 14, na época do suposto abuso. Os casos relativos a 57 dessas mulheres ainda não prescreveram, portanto, as demais vítimas são incluídas nos processos como testemunhas.

 

Ariane explica que, devido à idade avançada do réu, o prazo para prescrição do crime cai pela metade. “O crime de estupro leva 20 anos para prescrever, mas para pessoas acima de 70 anos, são 10. É uma espécie de clemência devido à idade avançada”, frisa. No entanto, a idade de João de Deus, que tem 77 anos, não vai interferir na duração da pena em caso de condenação. A punição prevista para estupro de vulnerável varia de oito a 15 anos. No caso das acusações de fraude, que também pesam sobre o médium, de dois a seis anos, de acordo com o Código Penal.

 

Embora o MP-GO tenha recebido 319 relatos de abuso sexual de vulneráveis, um total de 194 depoimentos foram formalizados, ou seja, as mulheres levaram o processo de denúncia até o fim, inclusive participando das oitivas. Desse total, 118 não prescreveram.

 

Nas denúncias, o MP-GO pede indenização de R$ 100 mil para cada uma das vítimas, com base em sentença semelhante já proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas Ariane explica que o valor final será decidido pela juíza Rosângela Rodrigues Santos, da comarca de Abadiânia.

 

Além das 11 denúncias por abuso sexual de vulneráveis, outras duas por posse ilegal de armas de fogo foram apresentadas pelo MP-GO e para uma delas já houve sentença proferida há cerca de um mês. João de Deus foi condenado a quatro anos de prisão em regime aberto.

 

O MP-GO também abriu uma ação civil pública para que ele seja condenado a indenizar todas as mulheres que não foram incluídas nos processos, quando as sentenças forem proferidas. Ariane destaca, porém, que elas terão de prestar depoimento, apresentar testemunhas e passar por todo o processo das demais mulheres, o que pode levar muito tempo.

 

Rede de proteção

 

João de Deus também é investigado pela Polícia Civil de Goiás por fraude, lavagem de dinheiro e por suposta rede de proteção ao médium, que inclui autoridades, como delegados e policiais, que teriam ajudado o religioso a se livrar de apurações. Além disso, várias outras pessoas são suspeitas de coautoria. As investigações correm sob sigilo.

 

O MP-GO divulgou um balanço das denúncias que pesam contra o médium, colhidas desde dezembro do ano passado. Segundo o balanço, Brasília e São Paulo concentram o maior número de denúncias: 59 cada, seguidos de Goiânia, com 37, mas há denúncias de outros 16 estados.

 

Os casos denunciados envolvem de crianças a mulheres com mais de 60 anos, sendo que o maior grupo é de mulheres entre 18 e 30 anos. Os casos teriam ocorrido entre 1978 e 2018, e os abusos relatados variam de toque sem consentimento a ejaculação, masturbação, tentativa de sexo oral, tentativa de penetração, sexo oral e penetração sem consentimento.

 

Segundo Ariane, os depoimentos, embora não tenham formato padrão, revelam estratégias recorrentes, que teriam sido utilizadas pelo médium. As vítimas relataram, de acordo com a promotora, ameaças físicas e espirituais diretas ou veladas feitas logo depois do ato cometido.

 

Questionada sobre a possibilidade de haver entre os casos mulheres que não sofreram abuso, mas que denunciaram com expectativa de indenização, a promotora ressalta que a força-tarefa reúne mecanismos para fazer a diferenciação, inclusive com a ajuda de psicólogos especializados no momento dos relatos. “Há comportamentos que são característicos de depoimentos orientados, como frases padrão, e outros característicos de autenticidade, como reações físicas do tipo palidez, boca seca, choro compulsivo e pico de emoção”, explica.

 

Defesa

 

Segundo o advogado de João de Deus, Anderson Van Gualberto de Mendonça, o médium mantém sua versão inicial sobre os fatos de que “não praticou crime sexual contra nenhuma mulher”. De acordo com o defensor, as armas apreendidas tinham mais de 50 anos e nunca foram usadas para intimar ou ameaçar nenhum frequentador da Casa de Dom Inácio.

 

Ele alega que o médium não tem condições físicas de permanecer preso, devido ao seu estado de saúde, afirma que o cliente perdeu 40 quilos desde que foi detido e que não está recebendo alimentação e cuidados médicos adequados. Mendonça destaca que o cliente tem usado cadeira de rodas e toma 15 medicamentos por dia, além de ter sofrido diversas quedas.

 

Na nota que enviou ao Correio, Mendonça acusa o Ministério Público de “fazer espetáculo público e utilizar a mídia para inflacionar sentimento de ódio e repulsa contra seu cliente”. Ele frisa que o médium corre risco de morte.

 

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A Justiça negou vários habeas corpus para a soltura de João de Deus. A última negativa foi do STJ, em 2 de dezembro, do ministro Nefi Cordeiro. A defesa alegou decisão monocrática e disse que vai recorrer para que a avaliação seja feita pelo colegiado. (CD e CN).

 

Corrêio Braziliense

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