Promotoria afirma que empresas ligadas à influenciadora movimentaram mais de R$ 140 milhões e pede manutenção das prisões dos investigados.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou denúncia contra a influenciadora digital e empresária Deolane Bezerra, apontando supostos vínculos com um esquema de lavagem de dinheiro investigado no âmbito de uma operação que também envolve integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a denúncia, empresas ligadas a Deolane movimentaram mais de R$ 140 milhões em operações financeiras entre julho de 2022 e maio de 2024. Os valores incluem créditos e débitos registrados por companhias que, de acordo com a Promotoria, estariam sendo utilizadas para dar aparência de legalidade a recursos de origem suspeita.
Além da influenciadora, foram denunciados familiares, empresas e outras pessoas físicas e jurídicas apontadas pelas autoridades como participantes do esquema investigado. Conforme o Ministério Público, apenas as movimentações diretamente relacionadas a Deolane ultrapassariam R$ 40 milhões, sendo que parte significativa dos recursos não teria origem claramente identificada.
Veja também

Governo avalia uso dos Correios para facilitar devolução de celulares roubados
A investigação sustenta que algumas empresas associadas à empresária apresentariam características incompatíveis com a atividade econômica declarada, incluindo ausência de estrutura operacional adequada e movimentações financeiras consideradas atípicas pelos órgãos de controle.
Relatórios produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram operações consideradas incompatíveis com a capacidade financeira declarada dos investigados. Entre os indícios apontados estão transferências fracionadas, movimentações frequentes via Pix e circulação de valores elevados sem documentação considerada suficiente para comprovar a origem dos recursos.
De acordo com a Promotoria, a projeção pública da influenciadora e suas atividades empresariais teriam sido utilizadas para justificar a movimentação financeira investigada. Os promotores também afirmam que não foram encontrados documentos que comprovassem parte das receitas atribuídas a serviços profissionais e contratos publicitários mencionados durante as apurações.
O Ministério Público solicitou à Justiça a manutenção das prisões preventivas dos denunciados, além do bloqueio de bens e eventual perda de patrimônio considerado incompatível com rendimentos comprovadamente lícitos.
A denúncia também inclui nomes apontados pelas autoridades como integrantes ou colaboradores da estrutura financeira do PCC, entre eles o suposto líder da organização criminosa, Marco Willians Herbas Camacho, além de familiares e pessoas investigadas por participação em operações financeiras ligadas à facção.
Outro ponto destacado no processo envolve registros fotográficos publicados nas redes sociais. Segundo os investigadores, as imagens indicariam proximidade entre Deolane e membros da família Camacho, apontada como relevante para o conjunto de elementos analisados durante a investigação.
As apurações tiveram origem em 2019, após a apreensão de bilhetes em uma unidade prisional paulista. A partir dessas informações, as autoridades identificaram possíveis conexões financeiras e empresariais que deram origem a novas fases da investigação, culminando na denúncia apresentada pelo Ministério Público.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
A defesa dos investigados poderá apresentar manifestação à Justiça durante o andamento do processo. Até o julgamento definitivo, todos os denunciados permanecem amparados pelo princípio constitucional da presunção de inocência.