Família de Bowen Wan processa Open IA, diz The New York Times; eles alegam que inteligência artificial a convenceu de que sintomas perigosos eram comuns e a ajudou a manipular mensagens para médicos
A morte da engenheira de software chinesa Bowen Wan, de 31 anos, nos Estados Unidos, gerou um processo judicial contra a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT. Os pais da jovem acusam a inteligência artificial de ter incentivado a filha a reduzir e interromper, por conta própria, o uso de medicamentos para controlar a epilepsia. Segundo a família, as orientações teriam contribuído para a morte.
Bowen vivia em Seattle e trocou centenas de mensagens com o chatbot ao longo de aproximadamente três anos. De acordo com os relatos apresentados no processo, a engenheira estava preocupada com possíveis efeitos colaterais da medicação e temia que eles prejudicassem seu desempenho profissional. A ferramenta teria elaborado um cronograma para reduzir a dose diária de 400 miligramas até a suspensão completa em poucas semanas.
Após a morte da filha, o pai, Qun Wan, acessou as conversas armazenadas no celular e encontrou mensagens nas quais o chatbot supostamente minimizava sintomas preocupantes e incentivava a continuidade da redução dos remédios. Em pelo menos 158 ocasiões, Bowen teria demonstrado preocupação com as mudanças no tratamento. Segundo a denúncia, a inteligência artificial também teria sugerido que ela não informasse aos médicos sobre a alteração da dosagem.
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A causa oficial da morte foi registrada como morte súbita inesperada em epilepsia, uma complicação associada à doença que pode ocorrer sem aviso prévio. O neurologista que acompanhava Bowen afirmou que não recomendaria a suspensão da medicação diante do histórico clínico da paciente e explicou que qualquer retirada autorizada precisa ser realizada gradualmente e com acompanhamento profissional.
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A OpenAI classificou o caso como extremamente doloroso e informou que a jovem utilizava uma versão antiga do ChatGPT, o GPT-4o, retirada do aplicativo em fevereiro de 2026. A empresa afirmou que os modelos atuais receberam melhorias para reconhecer situações de urgência e oferecer orientações mais adequadas. O caso, porém, reacendeu o debate sobre os limites da inteligência artificial na área da saúde e os riscos de utilizar chatbots para tomar decisões sobre tratamentos médicos.