Gravidez rara repercutiu nas redes sociais pelos riscos e desafios enfrentados pela mãe
Com apenas 1,45 m de altura, Jhéssica Fernandes, 28 anos, moradora de Franca (SP), viveu uma gestação que desafiou expectativas médicas e surpreendeu todos ao seu redor: sem histórico familiar, engravidou de trigêmeos de forma natural.
Mãe de duas meninas, Manuelly de 8 anos e Maria Fernanda de 11 anos, ela não esperava ter mais filhos. Tudo mudou quando, sozinha, em 2022, foi fazer um ultrassom e descobriu que estava grávida de trigêmeos. “Foi chocante receber essa notícia. Eu passei mal, vomitei e cheguei a desmaiar pelo susto”, lembra.
"A DESCOBERTA QUE MUDOU A VIDA DA FAMÍLIA"
Jhéssica chegou à clínica de moto, achando que faria apenas um exame simples para confirmar uma nova gravidez. Ao receber a notícia de que eram três bebês, ficou atordoada e ligou para o marido chorando. Depois do choque inicial, ela começou uma rotina de cuidados intensos. Mesmo assim, enfrentou complicações como diabetes, anemia, alterações na tireoide e colesterol alto. “Aplicava insulina diariamente e, com 28 semanas, precisei passar por cerclagem para tentar conter o peso da barriga, porque o colo uterino estava abrindo”, conta.
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Durante o pré-natal, ouviu previsões pouco animadoras. “O médico disse que eu não chegaria nem no quinto mês, que não precisava comprar berço, nem roupa”, conta. Segundo ela, a avaliação se baseava principalmente em sua baixa estatura, que seria "insuficiente" para sustentar uma gestação de trigêmeos. Em pouco tempo, a barriga de Jhéssica viralizou nas redes sociais. Vídeos mostrando seu crescimento despertaram curiosidade e geraram diversos comentários.
NASCIMENTO E CUIDADOS NA UTI
Apesar dos desafios enfrentados ao longo da gravidez, ela chegou a 31 semanas e 6 dias. O parto transcorreu bem. Os trigêmeos receberam os nomes de Miguel, Gabriel e Rafael, em homenagem aos arcanjos, e vieram ao mundo no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Foram 29 dias na UTI neonatal, período que foi marcado por tensão e preocupação para a família.
“Eu morria de medo de perder meus filhos. Cada evolução era uma vitória, e qualquer intercorrência deixava a gente ansiosa”, diz. Cada bebê media cerca de 40 centímetros e pesava até 1,8 kg. Todos receberam alta mamando exclusivamente no peito e a família pôde voltar para casa com os bebês saudáveis.
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De repente, cinco! (Foto: Arquivo pessoal)
ROTINA DESGASTANTE SEM REDE DE APOIO
A rotina depois do nascimento dos trigêmeos, hoje com 3 anos, é exaustiva. Jhéssica cuida das crianças enquanto o marido está no trabalho e, muitas vezes, termina a noite sem energia, sem saber como conseguirá cumprir todas as demandas do dia seguinte. Com cinco filhos, a mãe não conseguiu retornar ao mercado de trabalho, e a falta de uma rede de apoio torna tudo ainda mais difícil.
Nesse cenário, as duas filhas mais velhas se tornaram parte fundamental da dinâmica da casa. Elas se adaptaram rapidamente à chegada dos irmãos, ajudam nos cuidados diários e acompanham de perto cada etapa do desenvolvimento dos trigêmeos. “Ser mãe de trigêmeos é intenso e desafiador, mas também é triplicado em carinho, cuidado e felicidade. Eles vieram para completar a nossa família”, finaliza.
GESTAÇÃO DE TRIGÊMEOS EXIGE PRÉ-NATAL RIGOROSO E CUIDADOS ESPECIAIS
Receber a notícia de que está esperando trigêmeos por meio de uma concepção natural é bastante raro: a estatística gira em torno 1 caso entre 8 mil e 10 mil gestações. Além disso, o pré-natal de uma gestação de trigêmeos exige atenção extra e acompanhamento frequente. As consultas são semanais ou quinzenais, e os ultrassons constantes ajudam a monitorar o crescimento dos bebês, o volume do líquido amniótico e o colo do útero.
“Toda gravidez de trigêmeos é de alto risco, com maior chance de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e anemia. O repouso é essencial e a cesariana costuma ser a opção mais segura”, explica Eduardo Cordioli, diretor técnico de obstetrícia do Grupo Santa Joana.
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Família completa (Foto: Arquivo pessoal)
Gestantes de baixa estatura precisam de cuidados adicionais devido ao espaço limitado no útero. Mulheres com condições de saúde pré-existentes, como hipertensão ou diabetes, devem ser acompanhadas por uma equipe de especialistas, com ajustes de medicação e, em alguns casos, internação preventiva. “O acompanhamento constante permite identificar precocemente qualquer sinal de complicação e ajustar a conduta médica, aumentando as chances de uma gestação segura para mãe e bebês”, complementa Cordioli.
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Os trigêmeos (Foto: Arquivo pessoal)
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Para os bebês, o maior desafio é a prematuridade. Trigêmeos raramente chegam às 40 semanas, nascendo geralmente entre a 32ª e a 34ª semana. Muitos precisam de cuidados na UTI Neonatal para ganhar peso, amadurecer os pulmões e aprender a mamar. Com acompanhamento médico adequado, a maioria se desenvolve de forma plena e sem complicações.
Fonte: G1