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14/06/2021

Mulher de 46 anos engravida de gêmeos do próprio filho que é gay

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Foto: Reprodução

A professora Valdira das Neves e o filho Marcelo das Neves estão prestes a unir dois sonhos: ele será pai e ela avó. Aos 45 anos, ela está gerando os filhos do filho. Isso mesmo.

 

"Me perguntam: você se sente mais mãe ou avó? Eu digo que sinto as duas coisas ao mesmo tempo. Vou ser mãe por gerar e avó de sentimento. Uma 'mãe-avó'", brinca Valdira.

 

O procedimento que ela está passando é a chamada "barriga solidária". Os médicos uniram os espermatozoides de Marcelo aos óvulos de uma doadora anônima. A fertilização foi feita in vitro. Os especialistas, então, transferiram dois embriões para o útero da mãe de Marcelo.

 

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Claro, não foi fácil para os dois chegarem até aqui. Quatro anos atrás, Valdira engravidou do marido. Porém, no sétimo mês de gestação ela foi submetida a uma cirurgia de emergência. Helena, como chamava-se a bebê, não resistiu. Mas não era o fim do sonho. É aí que entra Marcelo, também morador de uma cidade na região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

 

Marcelo é gay e revelou a orientação sexual para a família por volta dos 18 anos. De início, Valdira teve receio com a notícia. "Nós já esperávamos, mas meu medo era de que as pessoas tratassem ele mal por ser homossexual. Tínhamos medo da sociedade, que é muito preconceituosa", lembra. "Mas nós nos resolvemos e amamos ele do jeito que ele é".

 

Valdira está grávida de seis meses - Reprodução/Instagram

 

A revelação feita para a família foi acompanhada por uma outra: ele sonhava em ser pai desde a adolescência. "Eu vi em minha mãe uma tristeza grande, aquela depressão se acumulando dentro dela. Eu via ela mal [por ter morrido uma filha] e ficava mal. Então, a incentivei a ter um outro filho", diz Marcelo.

 

Como Valdira já não poderia ter um filho biológico espontâneo, ele fez o convite. Pela legislação médica, o procedimento de "útero de substituição" só é permitido para parentes consanguíneos de até 4º grau. Não há permissão para o pagamento de qualquer valor para a gestante, evitando assim a chamada "barriga de aluguel".

 

A mãe tratou a tireoide, fez exames regulares e os dois passaram por tratamento psicológico. O processo demorou dois anos. Nesse tempo, foram quatro tentativas de fertilização. Quando estavam prestes a desistir, veio uma boa notícia.

 

O grande dia

 

"A gente comprou um teste de farmácia, só por via das dúvidas", diz o filho. "Assim que ela fez, apareceram duas listinhas [indicando resultado positivo] bem fortes. Minha mãe gritou: deu, deu! Aí a gente se abraçou". O teste de beta HCG também deu positivo.

 

Mãe e filho quase desistiram; na quarta tentativa, veio a boa notícia - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram

Fotos: Reprodução 

 

Fonte: Uol

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