Mais de quatro mil meninas tiveram DIUs inseridos contra a vontade
Mulheres da Groenlândia que foram submetidas a procedimentos contraceptivos sem consentimento poderão receber indenização do governo da Dinamarca. A medida é uma resposta a uma política adotada décadas atrás, quando milhares de meninas e mulheres inuítes receberam dispositivos intrauterinos sem autorização.
A campanha ocorreu principalmente entre as décadas de 1960 e 1990 e tinha como objetivo reduzir a taxa de natalidade da população da Groenlândia. Estima-se que pelo menos 4.500 adolescentes e mulheres tenham sido afetadas pela prática, muitas delas sem saber que haviam recebido o dispositivo.
Os relatos apontam que algumas vítimas sofreram dores, complicações de saúde e problemas relacionados à fertilidade. Em vários casos, os dispositivos permaneceram no organismo por anos e só foram descobertos posteriormente durante exames médicos.
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O governo dinamarquês reconheceu a gravidade do episódio e pediu desculpas oficialmente às vítimas. Agora, as mulheres afetadas poderão solicitar uma compensação financeira de aproximadamente 47 mil dólares, equivalente a cerca de R$ 256 mil, desde que apresentem um relato considerado plausível e uma declaração afirmando que foram submetidas ao procedimento sem consentimento.
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A indenização representa uma tentativa de reparar décadas depois uma política que deixou consequências físicas e psicológicas para milhares de mulheres. O caso também reacendeu o debate sobre os abusos cometidos contra a população indígena da Groenlândia e sobre a responsabilidade do Estado diante de violações ocorridas no passado.