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Mulheres estão recorrendo à testosterona, mas o que a ciência realmente diz sobre isso?
Foto: Divulgação

Entenda os benefícios comprovados, os riscos e a falta de produtos no mercado

Falta de produtos específicos para o público feminino e busca por melhora da libido e do bem-estar têm aumentado a procura pelo hormônio; uso inadequado pode provocar efeitos colaterais.

 

A busca por alívio dos sintomas da menopausa está levando mulheres a recorrerem a uma alternativa que chama a atenção: o uso de gel de testosterona desenvolvido para homens. Segundo reportagem da BBC, algumas mulheres estão fingindo ser homens para conseguir o produto, diante da escassez de opções formuladas especificamente para o público feminino.

 

A situação levanta questionamentos sobre o acesso a tratamentos hormonais e os possíveis riscos da utilização de um medicamento sem formulação adequada para as necessidades das mulheres.

 

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Embora seja frequentemente associado ao organismo masculino, a testosterona também é produzida naturalmente pelas mulheres. O hormônio é fabricado principalmente pelos ovários e pelas glândulas suprarrenais, além de ser formado a partir da transformação de outros hormônios em diferentes tecidos do corpo.

 

Nas mulheres, a testosterona participa de funções relacionadas à saúde sexual, aos músculos, aos ossos e ao funcionamento do cérebro. Mesmo presente em concentrações muito inferiores às encontradas nos homens, ela exerce funções importantes no organismo feminino.

 

O uso desse hormônio em mulheres ainda não foi aprovado nos EUA nem no Brasil

Foto: Reprodução

 

PROCURA AUMENTA APÓS A MENOPAUSA


Um dos principais motivos para o interesse crescente pelo hormônio é a possibilidade de melhorar o desejo sexual em mulheres que enfrentam dificuldades persistentes nessa área após a menopausa.

 

Uma análise de 36 ensaios clínicos, publicada em 2019, identificou benefícios da testosterona para o desejo e a satisfação sexual de algumas mulheres na pós-menopausa.

 

Diretrizes internacionais reconhecem a terapia como uma opção baseada em evidências para mulheres diagnosticadas com transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH), condição caracterizada pela redução persistente do desejo sexual acompanhada de sofrimento.

 

Apesar dos resultados, especialistas ressaltam que a libido não depende exclusivamente dos hormônios. Fatores como estresse, qualidade do relacionamento, cansaço e saúde mental também podem influenciar o desejo sexual.

 

MULHERES RELATAM MELHORA NO HUMOR E NA MEMÓRIA


Além dos efeitos sobre a vida sexual, algumas mulheres relatam melhorias no humor, na concentração e em sintomas cognitivos após iniciar o tratamento com testosterona.

 

Um estudo britânico realizado com 510 mulheres atendidas em uma clínica especializada em menopausa identificou relatos de melhora nesses aspectos após quatro meses de uso do gel.

 

Entretanto, os resultados não comprovam que a testosterona tenha sido a responsável pelas mudanças observadas. São necessárias pesquisas clínicas mais rigorosas para determinar se o hormônio realmente oferece esses benefícios.

 

A testosterona também não substitui os tratamentos hormonais convencionais para a menopausa. Quando indicada, geralmente é utilizada como complemento, conforme a avaliação médica.

 

FALTA DE PRODUTOS ESPECÍFICOS PREOCUPA


Apesar do aumento da procura, a disponibilidade de medicamentos de testosterona desenvolvidos especificamente para mulheres continua limitada em diversos países.

 

Nos Estados Unidos, por exemplo, não há produtos de testosterona aprovados pela agência reguladora FDA especificamente para uso feminino. Na Austrália, o creme Androfeme foi registrado em 2020 para essa finalidade.

 

Diante da falta de opções, algumas mulheres recorrem a produtos destinados aos homens, tentando adaptar a quantidade aplicada às suas necessidades.

 

Essa prática, porém, pode dificultar o controle da dose. A quantidade inadequada de testosterona pode elevar os níveis do hormônio acima da faixa fisiológica feminina e aumentar o risco de efeitos adversos.

 

USO SEM CONTROLE PODE PROVOCAR EFEITOS COLATERAIS


Entre os efeitos indesejados associados ao excesso de testosterona estão acne e aumento de pelos no rosto e no corpo.

 

Outro motivo de preocupação é a falta de dados suficientes sobre a segurança do uso prolongado em mulheres, especialmente em relação a doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC) e câncer de mama.

 

Como muitos estudos clínicos tiveram duração limitada, ainda existem dúvidas que precisam ser esclarecidas por pesquisas de longo prazo.

 

PRESCRIÇÕES AUMENTAM E DEBATE GANHA FORÇA


O interesse pelo hormônio também aparece nos números de prescrições. Na Inglaterra, as prescrições de testosterona para mulheres pelo sistema público de saúde aumentaram aproximadamente dez vezes entre 2015 e 2022. Nos Estados Unidos, a prescrição também apresentou crescimento significativo na última década.

 

O avanço da procura reforça o debate sobre a necessidade de desenvolver medicamentos específicos para o público feminino e ampliar as pesquisas sobre seus benefícios e riscos.

 

Enquanto novas evidências não esclarecem todas as dúvidas, especialistas recomendam que a terapia seja avaliada individualmente e acompanhada por profissionais de saúde.

 

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ATENÇÃO: mulheres que apresentam sintomas da menopausa não devem utilizar gel de testosterona masculino por conta própria. A indicação, a dose e o acompanhamento precisam ser definidos por um profissional habilitado, considerando os sintomas, o histórico clínico e os possíveis riscos do tratamento. 

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