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Músicas para Bolsonaro voltam a viralizar um ano antes das eleições
Foto: DANILO M. YOSHIOKA / ESPECIAL METRÓPOLES

Paródias musicais dedicadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro voltaram a ser buscadas nas redes sociais e nas plataformas de streaming

Um ano antes da eleição presidencial, as “músicas de Jair Bolsonaro” voltaram a viralizar em pesquisas na internet. Os apoiadores do ex-presidente começam a se mobilizar para a produção e divulgação de paródias musicais que exaltam o político de direita.

 

Em uma simples pesquisa em sites de busca on-line com os termos “músicas” e “bolsonaro”, vários resultados levam a canções que promovem Jair Bolsonaro (PL). Algumas delas são da eleição de 2022 e pedem votos ao político, mas já existem novas produções disponíveis.

 

Em sua maioria, as músicas exaltam as recentes manifestações pró-anistia, outros políticos com posicionamentos semelhantes ao do ex-presidente, como Nikolas Ferreira, e a resiliência de Bolsonaro diante das recentes cirurgias no intestino. Além disso, muitas das canções trazem críticas ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

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Em entrevista ao Metrópoles, o cientista político Rócio Barreto explica que as canções produzidas por apoiadores tomaram o espaço dos antigos jingles de campanha.

 

“Com a proibição dos comícios, com shows de grandes artistas, e com o avanço tecnológico, o aproveitamento dessas músicas nas plataformas digitais ganhou um movimento maior. É possível dizer, sim, que os hits antes tocados nos jingles foram trocadas pelas paródias nas redes sociais”, analisou.

 

Nas plataformas musicais, centenas de músicas apoiando Jair Bolsonaro estão disponíveis. O Metrópoles conversou com Fábio Dub, criador digital que se apresenta como compositor de músicas do Bolsonaro no Instagram, para entender como funciona o movimento

 

Com mais de 224 mil seguidores, o influencer foi o criador da paródia Volta Bolsonaro, que viralizou na última eleição, foi reproduzida por Neymar Jr. e até mesmo por Michelle Bolsonaro. Segundo Fábio, cerca de 250 plataformas recebem as músicas criadas por ele e também de outros influenciadores.

 

Foto: Breno Saki/Metrópoles

 

“Existe uma empresa que fica responsável por distribuir as paródias. A gente sobe as músicas gratuitamente na plataforma que realiza esse lançamento para o streaming musical”, revelou.

 

Mesmo com a grande quantidade de produções, o influenciador explicou que não costuma ser remunerado pelas paródias. “Eu não ganho dinheiro com as músicas no Instagram. Às vezes pinga R$ 100 ou R$ 200 de algumas paródias disponíveis nas plataformas musicais, mas é muito raro.”

 

Segundo Fábio Dub, as inspirações das paródias vêm do contexto atual do Brasil. Para a produção, ele utiliza apenas o telefone, o notebook e alguns playbacks comprados na internet. Com as produções, ele conta com vídeos que superam a marca de 2 milhões de visualizações.

 

“É uma forma de reivindicação popular através da arte e da paródia. Com meu conteúdo, já vi pessoas mudando de lado. A sensação é muito boa”, celebrou.

 

“Hoje não existem mais candidatos sem redes sociais, fora do digital” – Rócio Barreto

 

Com o aumento do consumo musical nas plataformas digitais, as paródias movimentam vários internautas pelo Brasil. Mesmo assim, o cientista político Rócio Barreto prega cautela em relação ao quesito medição de popularidade relacionado ao número de reproduções.

 

“As paródias podem ser usadas como termômetro para avaliar a popularidade dos candidatos com as pessoas, porém muitas pessoas não usam redes sociais e ainda votam. Utilizar só as plataformas digitais para mensurar a popularidade de um candidato não é o suficiente, mas dá para fazer um bom levantamento”, explicou.

 

Além disso, ele destaca a importância dos movimentos orgânicos dos apoiadores.

 

“Esses movimentos das paródias mostram que as pessoas estão ali batalhando por uma causa de forma natural. A gente vê o movimento bolsonarista mais expressivo neste sentido, com grupos mais populosos e organizados. Porém, é preciso mobilizar uma totalidade de eleitores. A direita sai na frente, mas as manifestações não podem se limitar sempre ao mesmo grupo.”

 

No Spotify e no Deezer, há uma grande oferta de músicas em apoio a Jair Bolsonaro. No YouTube, esse volume é ainda maior. Como essas produções seguem as regras das plataformas, não há impedimentos legais para que paródias políticas estejam disponíveis nos streamings.

 

Os estilos são variados: funk, lambada, arrocha, pisadinha, forró e até marchinha de carnaval.

 

Apesar de não serem proibidas nas plataformas, as canções parodiadas não podem ser utilizadas livremente nas campanhas eleitorais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2024, proibiu a utilização das paródias de músicas em jingles políticos sem autorização dos compositores originais (Resolução nº 23.732/2024).

 

Em uma das audiências públicas realizadas pelo TSE sobre a resolução, a cantora Marisa Monte defendeu a proibição das paródias sem autorização em campanhas políticas.

 

“Uma tortura moral, psicológica, e venho aqui expressar essa preocupação da classe. A nossa sugestão é que seja direito do autor impedir que sua obra seja usada através de paródia em jingles eleitorais”, disse Marisa durante a intervenção.

 

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Sem alterações na lei, a tendência é que a proibição em propaganda eleitoral siga valendo para as eleições de 2026.

 

Fonte: Metrópoles

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