Especialista aponta que estresse e hormônios são os principais inimigos da perda de peso das mulheres
Depois de fazer exames e descobrir que estava com sobrepeso e que precisaria perder alguns quilos, a advogada Rosângela Castro, de 40 anos, mudou completamente seu estilo de vida. Passou a frequentar a academia duas vezes por semana, ajustou a dieta, reduzindo a ingestão de açúcar, gordura e álcool, e passou a adotar uma rotina de sono mais saudável. Fez tudo aquilo que a cartilha do “viver saudável” recomendava. E mesmo assim, notou uma dificuldade enorme para perder peso.
Apesar de parecer incomum, esse cenário afeta milhões de mulheres e não tem relação com falta de força de vontade ou disciplina. A ciência mostra que o corpo feminino de hoje não funciona mais como funcionava décadas atrás. Há um novo contexto biológico em jogo: hormônios desregulados, inflamação silenciosa, intestino fragilizado e um ambiente moderno que interfere profundamente no metabolismo.
“As mulheres não estão falhando. O que está falhando é o ambiente biológico em que o corpo feminino é obrigado a funcionar hoje”, explica o médico Dr. Dárcio Pinheiro, especialista em metabolismo e longevidade.
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Nos últimos 20 anos, mudanças na rotina, no sono, na alimentação e na exposição a toxinas criaram um fenômeno que os pesquisadores chamam de descompasso metabólico.O especialista explica que o cortisol é um dos principais hormônios que têm afetado o corpo feminino. Segundo a OMS, 60% das mulheres relatam níveis persistentes de estresse, o que significa cortisol alto o dia inteiro. Esse hormônio, quando constantemente elevado, estimula o acúmulo de gordura abdominal, reduz o gasto energético e altera a percepção de fome.
A insulina também mudou. Hoje, 1 em cada 3 mulheres apresenta resistência insulínica sem saber. Isso não depende apenas do consumo de açúcar; noites mal dormidas, longos intervalos sem comer, excesso de pressão mental e beliscos rápidos também contribuem. Quando a insulina se mantém elevada, o corpo interrompe a queima de gordura para priorizar o armazenamento.

Além dos fatores citados, há ainda o estrogênio. Plásticos, cosméticos e alimentos ultraprocessados contêm compostos que atuam como disruptores endócrinos. A Sociedade Norte-Americana de Endocrinologia estima que 90% das mulheres têm exposição diária a substâncias que interferem diretamente no estrogênio.
O resultado é uma combinação que nenhuma dieta tradicional consegue resolver: estrogênio instável + insulina alta + cortisol crônico. Essa tríade forma o que especialistas chamam de “novo metabolismo feminino”.
A saúde metabólica da mulher passa, necessariamente, pelo intestino. De acordo com a Harvard School of Public Health, a microbiota de mulheres com alimentação rica em ultraprocessados pode perder até 40% da diversidade bacteriana. E essa diversidade é responsável por:
MANTER O METABOLISMO ATIVO

Fotos: Reprodução
regular a produção de serotonina
equilibrar a fome
desinflamar o intestino
metabolizar o estrogênio corretamente
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Quando esse ecossistema intestinal perde equilíbrio, surgem sinais como inchaço recorrente, fome emocional, compulsividade, irritabilidade e maior resistência à perda de peso.
Fonte: Seleções