Ex-secretário de segurança, coronel da Polícia Militar é citado em operação eleitoral
*Por Maria Santana Souza - O Tribunal Regional Eleitoral e a Polícia Federal deflagraram uma operação que atinge diretamente a cúpula da segurança pública do estado. Na manhã desta quinta-feira (1º), mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sede da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e em endereços ligados ao ex-secretário da pasta, Marcus Vinícius Oliveira de Almeida.
A ação, realizada em conjunto com o Ministério Público Eleitoral, apura denúncias graves sobre o suposto uso indevido de servidores públicos e veículos oficiais da estrutura do Estado para favorecer a campanha eleitoral de Marcus Vinícius, que concorre a uma vaga de deputado estadual pelo Podemos.
Ao todo, as equipes policiais e os oficiais de Justiça cumpriram quatro mandados judiciais autorizados pela Corte Eleitoral em Manaus. As investigações buscam mapear se a máquina administrativa e o aparato de segurança, financiados pelos impostos de toda a população, foram desvirtuados para servir como cabo eleitoral privado.
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Em pronunciamento oficial logo após a operação, o ex-secretário Marcus Vinícius manifestou-se de forma veemente, rechaçando as suspeitas e afirmando textualmente que “não sujaria as mãos de lama”, colocando-se à disposição para os esclarecimentos necessários ao longo do processo.
Para o Portal Mulher Amazônica, o avanço de investigações dessa natureza na reta final do pleito consolida um alerta urgente para a sociedade civil, em especial para as leitoras e eleitoras do nosso estado. A segurança pública é uma das áreas mais sensíveis e cobradas pelas mulheres do Norte, que frequentemente lideram a exigência por proteção contra a violência doméstica, o feminicídio e a criminalidade nas periferias e no interior. Ver as estruturas e as viaturas dessa mesma secretaria sob a suspeita de uso político e eleitoreiro é uma afronta direta à moralidade administrativa e às carências do nosso povo.

A lisura do processo eleitoral depende do funcionamento independente e impessoal das instituições de controle. Caberá à Polícia Federal e ao Ministério Público Eleitoral cruzar as provas colhidas nas buscas para atestar a ocorrência ou não do abuso de poder político e econômico. No entanto, no tribunal da consciência pública, o eleitorado tem o dever de manter o radar aceso e avaliar com rigor absoluto o histórico de quem pleiteia representá-lo no parlamento estadual.

Foto: Divulgação
O voto das mulheres do Amazonas é, historicamente, a principal barreira contra o uso patrimonialista da coisa pública. Não podemos aceitar a normalização de privilégios ou o favorecimento de candidatos através de estruturas que pertencem, por direito, ao cidadão. O Portal Mulher Amazônica seguirá vigilante acompanhando os desdobramentos desta operação, reafirmando que o verdadeiro exercício da cidadania exige transparência total, retidão e tolerância zero com qualquer sombra de irregularidade no trato com o dinheiro do povo.
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Maria Santana Souza, Analista Política e Diretora Executiva do Portal Mulher Amazônia.