Nas publicações, não basta explicar, é preciso ter bom humor e mostrar sintonia com as tendências atuais
No cardápio de novidades, as instituições deixam a tradicional sisudez e conceitos herméticos para os comunicados a serem decifrados por agentes do mercado financeiro e criam perfis descolados nas redes sociais, que tratam de temas econômicos e financeiros do cotidiano de forma irreverente.
Os assuntos vão de inflação, crédito, fluxo de capitais e câmbio até alertas para que os cidadãos não caiam em golpes financeiros. Nas publicações, não basta explicar, é preciso ter bom humor e mostrar sintonia com as tendências atuais. Na Suécia, por exemplo, o Riksbank tem respondido dúvidas de internautas enviadas pela plataforma X. Em Hong Kong, a autoridade monetária local colocou o banqueiro central para passar a mensagem de uma forma diferente.
Junto de um icônico cantor da região, o presidente da Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA), Arthur Yuen, de terno e gravata, canta um jingle animado que aborda temas financeiros, como medidas para ajudar as pessoas a se protegerem de golpes digitais. Não poderia ser mais acessível e sob medida para engajar a população da ilha asiática que é parte da China nas redes.“Clicar no link errado só vai te dar dor de cabeça / você tem que ter cuidado com suas informações e senhas / Fique ligado!” cantarolou o chefe da autoridade monetária por lá junto com Wan Kwong, um popular músico da cena local.
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Essas ações vão em linha com outras medidas, digamos, lúdicas para tornar o trabalho dos bancos centrais mais populares. O da Tailândia também tem um perfil bem ativo nas redes sociais. Com quase 300 mil seguidores no TikTok, o banco central tailandês escala diversos apresentadores para desmistificarem assuntos financeiros com uma linguagem simplificada na plataforma, que tem grande alcance entre os mais jovens.
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Foto: Reprodução
Na Coreia do Sul, funcionários da própria instituição apresentam, em uma série de trinta segundos, as áreas de atuação do Banco da Coreia (BoK). Parcerias com influenciadores digitais também levam o conteúdo de forma descomplicada a um público mais jovem.
É uma necessidade imprescindível do atual processo de comunicação, que antes acontecia em outros tipos de canais. Com as redes sociais, é necessário fazer um tipo de conexão direta com as pessoas, seja por uma questão de demanda delas, como pela velocidade com que isso pode ser realizado — destaca Marcos Bedendo, professor de Comunicação e Marketing da ESPM.
No seu primeiro evento público, em fevereiro, o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou que a comunicação da instituição é um grande desafio diante de um cenário em que as informações — incluindo as falsas — são onipresentes no cotidiano das pessoas.
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Cada vez mais os bancos centrais estão desafiados a conversar com um público mais amplo por conta de ações que envolvem não só a prestação de contas, mas por tudo: informação falsa que pode existir, questões relacionadas à segurança, estabilidade financeira. Este é um desafio grande — disse Galípolo, na ocasião.
Fonte: CNN