Jurista sul-africana de 85 anos teve papel histórico em tribunais internacionais e chefiou o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos
A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, recebeu nesta sexta-feira (9) o Prêmio Nobel da Paz de 2026. O Comitê Norueguês do Nobel reconheceu sua contribuição para a promoção da paz, do direito internacional e da responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.
Nascida em Durban, durante o regime do apartheid na África do Sul, Pillay construiu uma carreira marcada pela defesa dos direitos humanos e pelo enfrentamento à discriminação racial. No início de sua trajetória, atuou na defesa de ativistas contrários à segregação, entre eles Nelson Mandela, e se tornou uma referência no meio jurídico sul-africano.
Sua atuação ganhou projeção internacional quando presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda. Na instituição, teve papel importante no reconhecimento da violência sexual como crime contra a humanidade e na responsabilização de envolvidos no genocídio ruandês. Posteriormente, atuou como juíza no Tribunal Penal Internacional e comandou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014.
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Mais recentemente, Pillay presidiu uma comissão independente de investigação da ONU sobre os territórios palestinos ocupados. O grupo concluiu, em 2025, que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza, conclusão rejeitada pelo governo israelense. A atuação da jurista em questões relacionadas à responsabilização internacional também ocorre em um cenário de pressão política sobre instituições judiciais multilaterais.
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Ao anunciar a premiação, o Comitê Norueguês destacou a coragem, a integridade e a contribuição de Pillay para o fortalecimento de uma ordem jurídica internacional. O Nobel da Paz de 2026 prevê uma recompensa de 12 milhões de coroas suecas, além da medalha e do diploma concedidos aos laureados. A cerimônia de entrega está prevista para dezembro, em Oslo.