Cerca de 100 corpos foram sepultados temporariamente no distrito de Chitwan; medida provocou críticas por desrespeitar tradições hindus e famílias de desaparecidos
O Nepal começou a enterrar corpos de vítimas da tragédia provocada pelo colapso de uma geleira no Himalaia antes que parte delas pudesse ser identificada. A medida foi adotada diante do rápido estado de decomposição dos cadáveres, mas provocou revolta entre familiares e moradores, que acusam as autoridades de desrespeitarem tradições funerárias.
As equipes de resgate já recuperaram centenas de corpos após a avalanche e as enchentes que atingiram a região. Os números mais recentes apontam 903 mortos no lado nepalês e outros 16 no Tibete, enquanto milhares de pessoas continuam desaparecidas.
Os enterros estão sendo realizados em valas coletivas no distrito de Chitwan, no centro-sul do país. Antes do sepultamento, as autoridades recolhem amostras de DNA, registram os corpos e marcam a localização das sepulturas para permitir uma possível identificação e exumação no futuro.
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A decisão, porém, gerou indignação entre moradores, principalmente por causa dos costumes hindus relacionados aos funerais. Famílias de desaparecidos também enfrentam momentos de angústia, já que muitas ainda aguardam informações sobre parentes e temem que os corpos sejam enterrados antes de conseguirem reconhecê-los.
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Enquanto os sepultamentos continuam, as equipes de emergência mantêm as buscas por desaparecidos em áreas devastadas pela lama, água e destroços. O desastre também deixou centenas de trabalhadores presos ou possivelmente isolados em túneis de projetos hidrelétricos, aumentando a pressão sobre as autoridades para acelerar as operações de resgate e identificação das vítimas.