Impasse na formação de uma maioria parlamentar pode prolongar a permanência do primeiro-ministro no cargo, mesmo diante do avanço da oposição
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pode continuar no poder mesmo que seu grupo político não consiga formar a maioria necessária nas eleições gerais realizadas na terça-feira (27). O cenário depende das negociações entre os partidos para definir quem terá condições de comandar o governo. As projeções iniciais apontam para um impasse na composição do Parlamento israelense.
Israel adota o sistema parlamentarista, no qual os eleitores escolhem os partidos que ocuparão as cadeiras do Knesset, o Parlamento do país. Para formar um governo, é necessário reunir o apoio de pelo menos 61 dos 120 parlamentares. Como nenhuma das principais forças políticas alcançou essa quantidade nas projeções iniciais, as alianças entre diferentes legendas serão decisivas.
As estimativas divulgadas após o encerramento da votação indicavam que o bloco de Netanyahu, formado pelo Likud e partidos aliados, poderia conquistar 57 cadeiras. Já os partidos ligados ao oposicionista Gadi Eisenkot poderiam reunir 47 parlamentares. As outras 16 vagas seriam divididas entre duas legendas árabes, o que torna as negociações ainda mais complexas.
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Mesmo que a oposição consiga reunir mais parlamentares, isso não significa que Netanyahu deixará imediatamente o cargo. Parte dos partidos oposicionistas demonstra resistência à formação de um governo com participação de legendas árabes. Essa dificuldade pode impedir que o grupo rival alcance os 61 votos necessários para assumir o comando do país.
Após a definição dos resultados, o presidente de Israel, Isaac Herzog, consulta os representantes dos partidos e indica um parlamentar que considere capaz de formar uma coalizão governista. O escolhido tem inicialmente 28 dias para negociar o apoio necessário, prazo que pode ser prorrogado por mais 14 dias. Caso não consiga reunir a maioria, outro parlamentar poderá receber a oportunidade de formar o governo.
Se as tentativas fracassarem, os partidos poderão buscar um acordo para estabelecer um governo de unidade nacional. Outra possibilidade é a dissolução do Knesset e a convocação de novas eleições. Enquanto não houver uma nova administração, o governo atual permanece em caráter interino, permitindo que Netanyahu continue exercendo as funções de primeiro-ministro.
A eleição de terça-feira foi a primeira votação geral em Israel desde o início da guerra contra o Hamas, em 2023. O pleito ocorreu em meio a debates sobre a condução dos conflitos, as falhas de segurança relacionadas aos ataques de 7 de outubro daquele ano e a necessidade de responsabilização política. Mais de 7 milhões de israelenses estavam aptos a votar, e a participação eleitoral chegou a 77,7%, segundo os dados divulgados na cobertura do pleito.
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O resultado abre um período de incerteza política, já que a oposição precisa superar divergências internas para transformar o desempenho eleitoral em uma maioria governista. Caso as negociações não avancem, Israel poderá enfrentar um novo ciclo de disputas eleitorais. Até que uma alternativa consiga apoio suficiente no Parlamento, Netanyahu poderá permanecer à frente do governo, mesmo que seu bloco não consiga formar a próxima coalizão.