Camisa 10 decide no fim do primeiro tempo, comanda vitória do Peixe sobre o Bragantino e ganha força na briga por vaga na Copa
Neymar fez o que precisava fazer em sua última partida na Vila Belmiro antes da convocação de Carlo Ancelotti: decidiu. O camisa 10 abriu o caminho da vitória do Santos por 2 a 0 sobre o Red Bull Bragantino, neste domingo (10), pelo Brasileirão, e saiu de campo com uma atuação que ajuda sua candidatura à Copa.
Não foi uma exibição perfeita, nem uma daquelas noites em que Neymar controla todos os minutos do jogo. Mas foi um jogo com assinatura. O atacante participou desde o início das principais ações ofensivas do Santos, sofreu faltas, tentou acelerar ataques, reclamou de pênaltis, desperdiçou uma cobrança de falta e, principalmente, apareceu dentro da área para marcar no momento mais importante do primeiro tempo.
O gol saiu aos 49 minutos da etapa inicial, depois de uma boa trama em velocidade. Neymar arrancou, tocou para Bontempo, acompanhou a jogada e recebeu a sobra depois de Rollheiser deixar a bola passar. De frente para o gol, bateu para o fundo da rede e colocou o Santos em vantagem.
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ATUAÇÃO DE SELEÇÃO?
A pergunta que fica para Ancelotti não é apenas se Neymar ainda tem talento para estar na Copa. Isso nunca esteve em discussão. A dúvida real é física, competitiva e prática: ele ainda consegue influenciar um jogo grande por tempo suficiente para justificar uma vaga?
Contra o Bragantino, a resposta foi positiva, ainda que com ressalvas. Neymar jogou até os 35 minutos do segundo tempo, quando foi substituído por Gabriel. Antes disso, mostrou mobilidade para participar da construção, atacou espaços, buscou tabelas curtas e foi o personagem mais observado de uma partida que tinha peso maior justamente por causa da Seleção.
Logo no começo, o camisa 10 caiu duas vezes na área e pediu pênalti. Aos dois minutos, deu passe de letra em jogada que terminou em escanteio para o Santos. Aos seis, sofreu tranco nas costas no meio-campo e reclamou com a arbitragem. A noite começou com Neymar no centro do jogo, como costuma acontecer quando ele está em campo.
Também houve erros. Aos 24 minutos, teve uma falta frontal perto da meia-lua, mas pegou mal na bola e mandou longe do gol. Aos 27, passou pelo primeiro marcador, mas parou no segundo. Aos 38, tentou puxar ataque em velocidade e tocou em cima da marcação. Foi uma atuação produtiva, mas não limpa.
Ainda assim, o lance do gol muda a avaliação. Em jogo de pressão, na última partida na Vila antes da lista, Neymar não ficou apenas cercando a área ou distribuindo passes laterais. Ele atacou o espaço, participou da construção e concluiu. Para quem disputa vaga em Copa, isso pesa mais do que uma atuação esteticamente brilhante sem impacto no placar.
SANTOS CRESCE COM O CAMISA 10
O primeiro tempo mostrou um Santos mais confortável quando Neymar conseguiu atrair marcação e acelerar por dentro. O resumo da etapa apontou domínio do Peixe, com o gol saindo em jogada envolvendo Neymar, Bontempo e Rollheiser. O Bragantino tentou se aproximar, mas errou muito no meio-campo e saiu para o intervalo atrás no placar.
Barreal também apareceu bem, exigindo defesa de Cleiton logo aos 10 minutos. Rollheiser e Bontempo deram mobilidade ao ataque, e o Santos encontrou espaços especialmente quando conseguiu sair em velocidade, sem depender apenas de jogadas paradas ou bolas forçadas em Neymar.
O segundo gol veio aos 30 minutos da etapa final, com Adonis Frías. Barreal disputou a bola dentro da área, ela sobrou limpa para o zagueiro, que dominou e finalizou com categoria para ampliar. O lance confirmou a vitória santista e reduziu o risco de uma pressão final mais pesada do Bragantino.
Antes disso, o Bragantino chegou a ter alguns momentos de resposta. Gustavo Marques finalizou de fora da área logo no início do segundo tempo, e Henry Mosquera teve chance aos 20 minutos, mas Diógenes saiu bem nos pés do atacante e evitou o chute.
O QUE ANCELOTTI VÊ
Para Ancelotti, a atuação oferece argumentos a favor de Neymar. O primeiro é óbvio: gol. O segundo é mais importante: presença competitiva. O camisa 10 não ficou escondido, suportou contato, buscou jogo, criou conexão com os companheiros e permaneceu em campo até a reta final do segundo tempo.
O cartão amarelo aos 33 minutos da etapa final, por falta na defesa, também ajuda a mostrar uma participação mais ampla, ainda que o lance tenha sido negativo. Pouco antes, Neymar havia sofrido falta de Alix Vinicius, que recebeu amarelo aos 29. Ou seja, mesmo já no fim de sua participação, seguia sendo alvo de disputa e ainda interferia no ritmo da partida.
O ponto de cautela está no nível de exigência. Brilhar pelo Santos contra o Bragantino, em casa, não é a mesma coisa que sustentar ritmo de Copa. A atuação ajuda, mas não elimina as dúvidas sobre sequência, intensidade e capacidade de repetir desempenho contra adversários de elite.
Ainda assim, dentro do que o jogo oferecia, Neymar fez, talvez, uma partida digna de convocação. Não porque tenha lembrado sua melhor versão por 90 minutos, mas porque entregou o principal critério que costuma separar jogador comum de jogador decisivo: apareceu no lance que abriu o placar e colocou o Santos no caminho da vitória.
VITÓRIA TAMBÉM ALIVIA O SANTOS
O resultado tem impacto direto para o Santos no Brasileirão. Com a vitória, o Peixe chega a 18 pontos em 15 jogos e ganha fôlego na tabela, deixando a zona de rebaixamento para trás no recorte da rodada. O Bragantino, mesmo derrotado, segue na parte de cima, com 20 pontos.
Para Neymar, a conta é outra. Restam poucos jogos para transformar minutos em convocação para a Copa. A atuação diante do Bragantino não garante, mas entrega munição para quem defende sua presença na Copa.
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Se Ancelotti precisava de um sinal, Neymar deu um. Não foi um show completo, mas foi uma resposta objetiva: gol, protagonismo, quase 80 minutos em campo e influência direta em vitória do Santos. Na reta final antes da lista, isso não decide tudo, mas pesa.
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