Pesquisa revela que mais da metade das pacientes com menos de 40 anos sustenta filhos pequenos e enfrenta desigualdade no acesso a terapias
Mais da metade das mulheres com menos de 40 anos com câncer de mama avançado é responsável pelo cuidado de filhos menores de 18 anos. O dado, que por si só já revela a sobrecarga que recai sobre esse grupo, é um dos principais achados da primeira pesquisa global dedicada a mapear os desafios enfrentados por jovens pacientes em todo o mundo.
Conduzido pelo Projeto 528, batizado a partir da estimativa de que 528 mil mulheres vivem hoje com câncer de mama avançado, o estudo reuniu 3,8 mil respostas de participantes de 67 países, das quais 385 tinham menos de 40 anos. É sobre esse contingente que a análise se debruça, revelando o amplo impacto da doença na renda, na vida familiar, na estabilidade emocional e na relação com o próprio corpo.
Os números mostram que, além da carga emocional do diagnóstico, muitas dessas mulheres sustentam o lar e são o principal apoio de crianças e adolescentes que dependem delas integralmente. Entre as entrevistadas, 52% eram cuidadoras primárias. Após o início do tratamento, seis em cada dez relataram dificuldades no trabalho, 59% tiveram problemas para manter as contas em dia e 40% acumularam dívidas médicas.
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Ao mesmo tempo, a percepção de estabilidade financeira, que antes alcançava metade delas, despencou para 20% após o diagnóstico. Para 36% das participantes, o custo das terapias influenciou a escolha do tratamento.

Foto: Reprodução
Embora não sejam a maioria das pacientes oncológicas, as mulheres jovens tendem a enfrentar tumores mais graves. “O câncer de mama nesse grupo é biologicamente mais agressivo do que em mulheres mais velhas. Muitas vezes, há maior risco de um tumor triplo negativo, que tem menos opções de tratamento, e de desenvolver um câncer por predisposição hereditária”, explica Taranto.
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Entre os fatores levantados pela pesquisa, o peso da renda aparece como central, sobretudo pelos altos custos associados às terapias mais modernas. “Ao mesmo tempo que o tratamento evolui para a melhora dos desfechos, com a sobrevida global subindo, os valores associados a esse tratamento também podem aumentar de maneira muito significativa, chegando a custos muito elevados por ciclo de tratamento”, destaca a oncologista.